domingo, 23 de maio de 2010

Faz todo o sentido

"Vocês criaram o constrangimento, a repressão e a vergonha sexual - que conduziram à inibição, disfunção e à violência sexual.
O ser humano revolta-se porque sabe que não devia sentir vergonha e culpa de algo que é tão bom.
Depois quando percebe que foi ludibriado - que a sexualidade deve ser uma parte maravilhosa, respeitável e gloriosa da experiência humana - revolta-se contra os outros: os pais por o reprimirem, a religião por o humilhar, os membros do sexo oposto por o desafiarem e a sociedade inteira por o controlar.Por fim revolta-se contra si proprio por permitir que tudo issso o iniba.
Tudo isto emergiu do pensamento de que quem tem filhos também tem que os criar
Um dos pensamentos na base de muitos dos vossos problemas é essa ideia de que conjuges e filhos são propriedade pessoal, que são "vossos".
A maior parte dos humanos não está preparado para criar filhos aos trinta ou aos quarenta - e não é de esperar que estejam. Ainda não viveram tempo suficiente como adultos para transmitirem a sabedoria profunda aos filhos. Os anos da juventude nunca se destinaram ao ensinamento da verdade mas à recolha da verdade.
São os mais velhos que deviam educar as crianças e estavam destinados a isso. São eles que conhecem a verdade e a vida. O que é importante e o que não é. O significado de integridade, honestidade, lealdade, amizade e Amor.
Mas vocês puseram-nos de parte, marginalizaram-nos, retiraram-lhes o poder, exigiram-lhes que se reformassem dos seus empregos precisamente quando podiam trazer beneficio às empresas, quando a sua participação poderia dar algum sentido."
in "Conversas com Deus"

sábado, 20 de março de 2010

Concertos de Páscoa

É exaltante e tão sorridente este coral, Aleluia, do oratório Messias.
Haendel escreveu-o para a Páscoa, e estreou-o, aqui em Dublin, a 13 de Abril de 1742, utilizando apenas 16 cantores e uma pequena orquestra.
Tive a sorte de o assistir no Palácio da Vila, naquilo que na altura eram os "Concertos de Páscoa"

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"O Fim da Linha" por Mario Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor.
Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”).
Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”.
Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo.
É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.
É banal um jornalista cair no desagrado do poder.
Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado.
Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar.
Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade.
Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”.
Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

As rosas cheiram mal mas as laranjas estão podres


O meu país está doente, cheio de olheiras e com mau hálito.
Sinto um cheiro pálido assim que entro num taxi no aeroporto de Lisboa
Ao fim de 2 minutos de conversa percebo a falta de esperança, a revolta individual e colectiva a ser cozinhada em banho-maria, quase a entrar em ebulição e a explodir.
Não me assusta a revolução nem o acordar.
Não quero sangue mas incomoda-me a violência moral a que estamos sujeitos.
Incomoda-me a apatia e a resignação.
Parecemos envenenados e encarcerados por um monstro maçon côr-de-rosa, que suporta este poder arrogante e mal-formado.
Incomoda-me que a alternativa seja um partido dividido em "istas" - menezistas, santanistas, cavaquistas - e sem futuro.
De meninos que ora brincam aos insultos e fazem birra, ora são outra vez amigos de conveniência, cheios de vicios caros e telhados sujos de vidro.

Chorei a morte de Sá Carneiro quando tinha 10 anos, porque achei que era um homem bom.
Gritei pelo Freitas na Alameda, chorei com a frustração por não poder ainda votar e termos perdido.
Fui despedida do primeiro emprego por ter chegado feliz ao escritório, depois da vitoria de 1991.
Despedi-me da Kodak para fazer a campanha de 1995 porque íam ser umas presidenciais dificeis.
Nas Galinheiras, rasgaram-nos a roupa, os panfletos e humilharam-nos.
Vesti a camisola de coração laranja mas cansei-me.
O mundo mudou, eu cresci e hoje não sei se me incomoda mais ser governada por estes palhaços, se assistir à medíocridade deste partido, que não se lhes opõe e que me repugna profundamente.
Ninguém lhes diz que o mundo mudou, girou, evoluiu e que passaram 20 anos?!
Ninguém lhes disse que a Direita e a Esquerda já não fazem sentido?!
Que os programas não têm que ser para "tachos" de 4 anos mas para o futuro?
Que as camisas às riscas Façonnable, pullovers Labrador pelas costas, hoje são apanágio de novos ricos de formação moral duvidosa e que nem sequer sabem falar um português correcto e entendível.
Que estamos cansados daqueles nomes gastos e batidos que entretanto se acomodaram em lugares bastante confortáveis - são a cara dos anos 80 e já não fazem parte desta realidade.
Que não queremos esta geração medíocre de filhos de emigrantes - vindos de terras do interior que ninguém conhece mas que habilmente se permitiram infiltrar nesta teia de interesses, que tratam os outros por Sr. Doutor - como cabeças de lista nas autarquias e no parlamento, à espera de também se acomodarem.
É esta a medíocridade que se segue? São estes os meninos que vão preencher a bancada?
E a troco de quê? De que financiamentos e cunhas locais? Lugares nas listas a preços de feira.

Hoje somos ecologistas, preocupamo-nos com sustentabilidade e nem por isso somos comunistas.
Temos valores de melhor qualidade ética e moral, somos menos sociais e nem por isso somos conservadores.
Preferimos a verdade e empenharmo-nos num bem duro mas comum ,que promessas fáceis e falsas.
Sabemos que um lider é aquele em quem reconhecemos a dignidade e o respeito da autoridade.
Definitivamente contam as pessoas, a sua capacidade de fazer acontecer e não os partidos.
É inevitável reconhecer autoridade nos argumentos de Medina Carreira, todos aplaudimos quando salta a tampa à Nogueira Pinto porque lhes sentimos autenticidade e sentido de missão, que é isso que devia ser a nobreza do serviço publico.

Ahhh... para que se saiba, desfiliei-me
.

Mário Crespo, no JN de hoje


O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada.
O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.
O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si.

O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha.
O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos.
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também.
O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem.
O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre.
E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada. Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo, no JN de hoje

sábado, 12 de dezembro de 2009

Oração da Paciência


Deus
Dá-me a Coragem para mudar aquilo que eu posso mudar
Dá-me a Paciência para aceitar aquilo que eu não posso mudar
Dá-me a Sabedoria para distinguir uma coisa da outra

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Diários e Blogues

Aos 18 anos, perguntei-lhe se queria lêr os meus 2 diários.
Ele disse que sim.
Esperei uns dias, ansiosa.
Pensei que fosse gostar dos desenhos, das folhinhas cheirosas no meio de cada página, das flores coladas nos cantos, pensei que percebesse quanto era dificil ser a filha mais velha, que soubesse da minha dificil relação com a minha mãe, que as minhas angústias eram semelhentes às dele e que não estava sozinho.
Leu e disse que não entendia como eu o podia amar e odiar tanto ao mesmo tempo.
Ficou em silêncio durante uns dias e mais ele não disse.
...
Há umas semanas, durante o nosso almoço habitual, falei-lhe no meu Blog a propósito de qualquer coisa.
- "Tens um Blog? Dá-me o endereço"
- Não! não está lá nada escrito sobre ti.
E mais eu não disse
...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

?Deus? !Deus!


Por falar em fantasmas, também tenho alguns.
E também é a escrever sobre eles que se resolvem ou desaparecem, aos poucos, devagar.
Sempre tratei os meus gatos como se fossem meus filhos, por serem criaturas que dependiam em quase tudo de mim.
Infelizmente morreram quase todos atropelados à porta de casa.
E lembro-me de duvidar apenas uma vez, da minha fé em Deus.
Estava no meu quarto, ouvi um carro a travar bruscamente, tapei os ouvidos com força e rezei!
Pedi a Deus que não tivesse sido a minha gatinha preta, pedi a Deus que ela tivesse conseguido ser mais rápida que o carro, pedi a Deus que não tivesse acontecido aquilo que aconteceu.
E duvidei...
Anos mais tarde, fui atropelada em Belém
Como a minha gatinha preta
E não senti dor, não senti a pancada, não sofri
Simplesmente adormeci
E por acaso acordei, deitada na estrada
E percebi que os meus filhotes não sofreram nem sentiram dor ao morrer.
Deus tem destas coisas.
Diz as coisas de uma forma estranha.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Passagem de Ano

Este ano reservei o hotel para a passagem de ano, em Setembro.
Pois... em Santiago! e não, não há fogo de artificío nem nada de extraordinário nessa noite.
No ano passado, a viagem de natal, foi marcada com vários meses de antecedência, com regresso a Dublin a 30/12, para 2 pessoas pelo que não podia ser alterada depois apenas para uma.
Foi, de longe, a pior passagem de ano de que me lembro!
Ainda não me tinha habituado ao silêncio da casa.
Agarrei-me com todas as forças ao meu enorme orgulho magoado e à minha profunda raiva para empacotar literalmente metade da casa numa noite.
Como sempre, Deus foi generoso comigo e trouxe-me a minha querida amiga de Sintra, para me consolar numa choradeira pegada e acompanhar em milhares de brindes a tudo o que a vida tem de bom através de uma webcam.
Perdi a conta às passagens de ano que passámos juntas mas foram muitas.
E em todas brindámos, chorámos e rimos até não aguentarmos a dor de barriga de tanto rir.
Mas este ano vai ser diferente.
Escolhi a cidade que mais me toca a Alma sob o pretexto de assistir à abertura da Porta Santa na tarde de 31/12 e que marca o inicio do Ano Santo Jacobeo 2010.
Não, não há fogo de artificío nem se passa nada de extraordinário nessa noite.
Há apenas Santiago de Compostela.
Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo ar que se respira nesse sitio que para mim é mágico.
Poucos que me conhecem sabem que apenas senti o mesmo encantamento por Sintra (que me desencantou na minha 1ª vistita à Quinta da Regaleira) e por Lisboa.
Eu sei que só não estou lá todos os meses porque voos directos Dublin/Santiago só há durante o verão.
Trocaria todas as profissões e dinheiro do mundo para me dedicar apenas a Caminhar.
Acho que todos sabem que voltarei e caminharei sempre e enquanto tiver pernas para andar.
Sabem que tenho, entre outros, o enorme defeito de me esquecer depressa de tudo quanto aprendi em cada caminho e que por isso uso uma vieira para me recordar que carrego a dignidade e a alegria de ser Peregrina de Santiago.
Talvez alguns saibam que o significado do meu nome significa caminheira, peregrina.
Sabem que Amo Lisboa mas que mesmo assim trocaria a minha cidade por Santiago, só para sentir o prazer de vêr os peregrinos chegar.
Quase ninguém sabe que escolheria para morrer, a Praça do Obradoiro, sitio onde tenho sempre a sensação de Paz e missão cumprida.
Pouco me importa a verdade ou a religião.
Importa-me a energia que emana das pessoas que chegam dum Caminho sofrido, alquimico - estão diferentes, mais puras, genuinas, leais, simples, mais humanas, mais elas.
São pessoas que acreditam em milagres, que os fazem acontecer, que sabem que são capazes, que perderam o medo de morrer e adoram viver.
Importa-me a energia que emana das orações em idiomas de toda a parte do mundo na catedral - sem preconceitos nem desigualdades.
É com esta energia Boa que a Alma do mundo se cura e Deus carinhosamente sorri.
Acredito que há poucos sitios neste planeta onde se concentrem, num espaço fisico relativamente pequeno, tantas pessoas com tanto em comum entre si.
E é esta união que se transforma numa força com um poder imenso.
O poder de fazer acontecer e transformar o mundo num sitio melhor.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Dubliner - the Bright side


Eu, que até sou uma optimista :)... vou fazer aqui um pequeno exercicio de boa vontade e procurar o lado Feliz de Dublin.
Curiosamente, o que me atrai (entenda-se que estou aqui por obrigação e não por opção!!) é exactamente o lado Georgiano e Victoriano desta que foi uma colónia britânica e que os Irlandeses tanto tentam esquecer.
São:
As portas Georgianas de todas as cores
Os jardins e estufas de inverno
Os móveis lacados de branco e as lareiras de bronze
As rosas e porcelanas victorianas
Os folhos, as rendas, os laços, os veludos, as sedas, as pérolas
As fadas, os duendes e cogumelos nos jardins das casas
Os cisnes selvagens no Canal
O verde e a água por todos os lados
Os doces, os cupcakes, os suspiros, o chá, o chocolate quente
Os jardins onde nos deitamos na relva e se fazem piqueniques
As saias de caxemira num xadrês quente e variado
Os vestidos para cada hora do dia
A lingerie doce e burlesca
As crianças ruivas e sardentas
Os leões marinhos no seu habitat natural
As ostras, hmmmm as ostras, definetly
...
Assim, de repente, não me ocorre mais nada e já estou a sentir a chuva a bater na janela outra vez...

Dubliner - the Hard side



As conversas em Dublin, começam sempre e invariavelmente sobre "o tempo".
Na semana passada, falava com um taxista que me confessava ser altamente deprimente passar um ano inteiro na Irlanda e que por isso conhecia irlandeses capazes de dar um milhão de euros por um terreno na Quinta do Lago ou outro tanto por uma Villa no sul de Espanha.
Esta semana, conheci uma italiana no Tesco, que vive em Dublin há nove anos, casada com um irlandês, que me dizia que à medida que o tempo passa, torna-se cada vez mais dificil suportar viver aqui pelo que estavam a considerar mudarem-se para Milão.
Há quase dois anos que aqui cheguei e tenho de admitir que o primeiro ano foi bem mais fácil de passar que o segundo, apesar das minhas viagens mensais e vitais a Lisboa.
O tempo é de facto insuportável. Se no verão, chove quase todos os dias, no Inverno está tanto frio que as pessoas quase não saem de casa.
Esta Ilha tem quase sempre um manto espesso de nuvens cinzentas por cima das nossas cabeças.
Não imagino o que seja nascer e viver a vida toda numa ilha no norte do atlântico onde chove todos os dias.
Mas as pessoas tornam-se a face visivel do desequilibrio.
Acordam, raramente tomam banho - o cheiro nauseabundo no autocarro pela manhã e os cabelos por pentear são prova disso - comem ovos mexidos com presunto e feijão antes de sair de casa, vão para o trabalho, almoçam uma sandes fria ou asas de frango acompanhadas de água com gelo ou cerveja, saem às cinco, enfiam-se num bar até às 20:00h, bebem mais cerveja, fumam ao frio, vão para casa, não jantam ou comem qualquer coisa frita com muito chilli, bem picante, são fanáticos por futebol, veêm um canal exclusivamente de venda de casas e terrenos em terras mediterrânicas e imagino que se deitem embriagados mas a sonhar com raios de sol.
Os mais jovens vestem-se das cores mais berrantes e fluorescentes, os adultos vestem-se invariavelmente de preto, elas carregam camadas sobrepostas de maquilhagem, usam pestanas e unhas postiças, compram desmedidamente qualquer coisa que os distraia por mais inutil que seja, a preços absurdos.
As pré-adolescentes enrolam pela cintura as saias axadrezadas do uniforme dos colégios e sobem-nas até ao limite do umbigo.
8000 desaparecidos por ano, 700 suicidios por ano, Dublin é a cidade da Europa com maior numero de assassinatos com armas de fogo, 25% dos homens são vitimas de violência doméstica e o aeroporto tem um movimento de 24 milhões/ano para uma população de 6 milhões de habitantes.
Felizmente e por enquanto, há os outros como eu - os Espanhois, Italianos, Franceses, Brasileiros, Chineses, Indianos, Nigerianos - que pelo menos damos côr a esta cidade, nas nossas roupas, com o nosso tom mais ou menos bronzeado, com os nossos sorrisos sóbrios e com calor no olhar.
Sim, o olhar! Talvez seja isso que mais me incomoda, o olhar azul, frio e distante desta gente do Norte.
Não lhes sinto a alma ou talvez prefira nem vê-la.
Estou em contagem decrescente! Tenho um ano (no máximo) para aproveitar o que esta Ilha tem de melhor e para continuar a resistir ao seu clima pesado sem me deixar ir abaixo.
É estranho mas sei que um dia vou sentir saudades.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"Gosto de Ti"

Se eu estava assim
fiquei assim

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O ritmo da respiração é um companheiro constante para a vida

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dicotomia Divina


"Eu sou o Deus
Eu sou a Deusa
Eu sou o Ser Supremo
O Todo de Tudo
O Principio e o Fim. O Alfa e o Omega
Sou a Soma e a Parcela. A Pergunta e a Resposta. O Alto e o Baixo. A Esquerda e a Direita, o Aqui e o Agora, o Antes e o Depois.
Eu sou a Luz e sou as Trevas que criam a luz e a tornam possivel.
Eu sou a Bondade sem fim e a Maldade que torna boa a bondade.
Sou todas estas coisas - o Todo de Tudo - e não posso experienciar qualquer parte do meu Eu sem experienciar todo o meu Eu.
E é isso que não compreeendes a meu respeito.
Queres fazer de mim um e não o outro. O alto e não o baixo. O Bom e não o mau.
Mas ao negares metade de mim, negas metade do teu Eu."
in "Conversas com Deus"

Géa ou Gaia - Grande Deusa Mãe


"Numa fase inicial da vossa história, viveram numa sociedade matriarcal onde as mulheres governavam tudo segundo as suas emoções. Detinham todas as posições governamentais, religiosas, de poder, na ciência, no ensino e na cura. Os homens não tinham poder nenhum, apenas justificavam a sua existência pela capacidade de fertilizar óvulos femininos e transportar objectos pesados.
Houve então uma mudança e emergiu o patriarcado.
Quando fizeram essa mudança, deixaram de exprimir as vossas emoções. Classificaram-no como "fraqueza". Foi durante esse periodo que os membros do sexo masculino inventaram o Deus e o diabo masculinos. Utliziram o medo porque era o unico instrumento que possuiam. O medo era a unica coisa com que as mulheres não tinham contado.
Toda a ideia de Divindade foi subvertida.
Em vez de ser a fonte de todo o Amor, passou a ser a fonte de todo o medo.O modelo de Amor maioritariamente feminino foi substituido pelo amor ciumento e irado de um Deus exigente e intolerante, que não admitia nenhuma falha nem ignorava nenhuma ofensa.
O sorriso da Deusa divertida, sentindo um Amor ilimitado e submetendo-se docemente às leis da Natureza, foi substituido pela face austera do Deus sério, limitando o Amor para todo o sempre."
in Conversas com Deus

Eu sou o ventre da terra. Eu sou os sulcos dos campos. Eu sou a cúspide da lua. Eu sou as gotinhas da chuva. Eu sou as ondas do oceano. Eu venho com os feixes do trigo para alimentá-los, com cestas de frutas para abençoar a sua mesa e com água transparente e fresca para saciar a sua sede. Eu sou a essência generosa da vida. Eu sou a condutora das crianças, não para matarem e serem assassinadas, mas para apoiarem a vida, plantarem sementes, produzirem colheitas, nutrirem a vida.

domingo, 29 de novembro de 2009

Força Extrema da Natureza


Sol                    Escorpião
Ascendente  Capricórnio
Lua                   Escorpião
Mercúrio        Escorpião
Vênus              Escorpião
Marte              Virgem
Júpiter            Capricórnio
Saturno           Leão
Urano              Leão
Netuno            Escorpião
Plutão             Virgem
Uma suposta relação entre duas pessoas com um Horóscopo composto como este, significa uma coisa que pode resultar em duas:
Uma força natural de intensidade brutal, que pode conduzir ambos à cura espiritual e redenção da alma ou ao perigo.
Hmmm e erotismo pois está claro, muita sensualidade, muito sexo, muito bom.

A brincar com o Fogo

Porra... Queimei-me!
E dói... Como dói

Fraqueza e Vulnerabilidade

Como a aranha ou o bicharoco que sente que vai ser esmagado se imobiliza com medo e finge estar morto, numa tentativa derradeira de se salvar, assim sou eu.
Quando sinto que perdi o chão, a esperança, a confiança e sinto que vou ser esmagada pela sensação de rejeição, frustração, perda e tristeza, entro em auto-sabotagem e fingo uma displicência silenciosa aterradora.
É raro acontecer mas quando gosto de verdade é sempre de alguém com qualidades superiores, mais forte, mais bonito, mais inteligente, mais divertido, mais social, mais emotivo, mais sensivel, mais acima, mais além.
Apaixono-me por alguém que não consigo, não quero controlar e evito ao máximo entrar em jogos de razão e poder.
Pelos braços fortes capazes de me aguentar e de me defender.
Pela águia capaz de voar mais alto que eu.
Pelo menino que quero acariciar e cuidar.
Apaixono-me num filme romântico em que por trás de um grande Homem está apenas uma Mulher Feminina que se entrega, num cenário de doçura, ternura, desejo e paixão.
Sou a Guerreira agressiva e defensiva  das 09:00h às 06:00h mas tiro a armadura quando chego a casa.
Por isso admito a minha vulnerabilidade, fraqueza e sensibilidade na paixão e no Amor.
Admito que não tenho a força nem a estrutura emocional para acompanhar personalidades demasiado fortes quando a minha está demasiado frágil.
Não sei como se luta por alguém que não nos pode pertencer.
Não sei como se faz quando o que sinto é demasiado grande para caber numa realidade bem limitada.
Não sei como se faz quando se sente o chão a fugir, o céu a desabar e as mãos a suar.
Não sei como se está com alguém que já não está lá.
Não sei estar na vida do outro como uma intrusa.
Não sei competir com outras mulheres muito mais mulheres que eu.
E aconteceu o que não era suposto acontecer: pela segunda vez na vida aconteceu e percebi que não mudei assim tanto desde os 17 anos.
Mea culpa

Missão cumprida


Por vezes suge-nos uma missão.
No  inicío, temos apenas algumas peças de um grande puzzle, e naturalmente não fazemos a interpretação correcta do quadro em que acabámos entrar.
Sentimos desde o inicio um forte aperto no coração que nos diz que vai ser algo de importante.
A nossa intuição dá uma ajuda, diz-nos que não devemos desistir e que vai valer a pena continuar.
Aos poucos vamos percebendo o quanto é importante é o nosso papel.
E o do outro - porque quando duas pessoas se encontram, o Universo é justo e a gratificação final é sempre reciproca.
Entregamo-nos a fundo, mergulhamos nela de cabeça, dedicamos-lhe o corpo e a Alma, esquecemos tudo o resto porque sentimos que o tempo é escasso e nos foge por entre os dedos, por mais que o tentemos segurar.
Como todas as grandes mudanças têm de começar por algum lado, é preciso desbravar, preparar o terreno e marcar o caminho.
O Caminho de Alguem que apenas precisa que lhe recordemos a esperança, a sábia ingenuidade, a capacidade de voltar a Amar sem desconfiança e com verdade, a Fé na Mulher e no seu Amor maior, sem idade.
Estava escrita uma história nas Estrelas.
Uma historia bonita, daquelas que nos encanta, cheia de magia, com um final Feliz.
E sossega-nos o coração saber que fomos parte dela e ele da nossa.

?Almas Gémeas?

Porto, Novembro 2004
Com Dulce Regina - Ipanema Park
Um portátil, um gravador, nomes e datas de nascimento

- Você viveu na India, em 1840
- Na India? Mas não me identifico em nada com a India nem com o séc. IX
Encanta-me a musica antiga, os madrigais de Monteverdi fazem-me dançar como que por instinto
- Abandonou toda a sua familia
Fugiu, talvez para Londres em plena época victoriana
Está a ver as linhas encarnadas? representam o seu Karma
Não tem tanto assim... mas é um karma de Amor e abandono
Lucas? A minha alma gémea também se chama Lucas
- Sim, eu sei, eu li o seu livro
- É... ele é a sua alma gémea... matriz
- Imagino que seja
- Mas não significa que ficarão juntos nesta vida
Estão em estágios evolucionais diferentes e têm uma divida de perdão mutúo

Com ele perdi a virgindade, entreguei-me, sofri e dele me vinguei numa traíção infantil declarada.
Por ele casei, fugi para o Porto para o esquecer, por ele fui a Santiago agradecer o reencontro.
Passaram 5 anos desde a consulta com a Dulce R. e aprendi que temos todas as verdades dentro de nós.
Hoje somos amigos, como 2 irmãos que se conhecem demasiado bem e sem qualquer tipo de atracção.
Passou o encantamento e a maldição
Passou a angústia e a dor
Eu pedi perdão, sanei a minha culpa e desatei o ultimo nó que tinha
E passou o que eu chamava de Amor

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cabecinhas...

Os meus brinquedos fazem cócegas nos olhinhos das meninas-de-cabeça-pequenina do aeroporto de Lisboa mas vão ter de se habituar.
Um dia destes levo a minha colecção completa e vai ser um bBzrrrzZZzz de todas as cores na passadeira do raio-x.
Apanham um tamanho susto que ainda acabam por soltar um aaAAhhhHH de olhos fechados, que é para isso que eles servem e parece-me que é disso que precisam.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a.
Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança.
A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso acreditar em alguém e conhecê-lo para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínseco.
Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa.

domingo, 15 de novembro de 2009

O Amor é a falácia de acreditar que uma pessoa pode realmente ser diferente da outra


Ele olhou-a nos olhos, Ela viu-lhe a Alma
Ela sensual, Ele sedutor
Ela a aluna, Ele o professor
Ela a cura, Ele o redentor
Ela o instinto, Ele o saber
Ele o tacto, Ela o paladar
Ela o sonho, Ele o despertar
Ele o gourmet, Ela o caviar
Ele os sentidos, Ela a razão
Ele o filósofo, Ela a emoção
Ele a Luz, Ela a chama
Ele a física, Ela a química
Ele sólido, Ela líquida
Ela o sol, Ele a neve
Ele a eira, Ela a beira
Ele a procura, Ela a descoberta
Ele sussurra, Ela suspira
Ela escreve-o, Ele inspira-a
Ela a princesa, Ele o castelo
Ela a marmelada , Ele o marmelo
Ele o Beatle, Ela o submarino amarelo
Ele a franqueza, Ela a verdade
Ele a ambivalência, Ela a ambiguidade
Ela o desejo, Ele a vontade
Ele a compaixão, Ela o perdão
Ele o combustivel, Ela a combustão
Ele a lava, Ela o vulcão
Ele o carvão, Ela a explosão
Ele falava, Ela ouvia
Ele contava, Ela ria
Ele tocava, Ela sentia
Ela brincava, Ele gostava
Ele admirava-a, Ela o respeitava
Ele perdia-se nela, e nele é que Ela se encontrava
mais ou menos copiado e adulterado daqui

Fim-de-semana em Dublin?

Não gosto de Psis.
Especialmente deste, que além de ser pseudo-psi é ex-namorado e padrinho de ex-casamento.
Além disso entrou para a lista dos medíocres mesquinhos, aspirante a uma poupança obscena nas Ilhas Caimão.
De vez em quando ressuscita, com os seus traumas de filho unico insuportavel, a pedir um colinho que deixou de ter precisamente há 16 anos, mais ou menos por esta altura.
Com certeza sublimou e recalcou as ferroadas a frio que levou.
Ou é tão frio que nem as sentiu.
Nada como uma boa insónia e um transito de Vénus por Escorpião para refrescar a memória a um tarado imbecil, insensível, desconfiado da própria sombra que ganha a vida a domesticar as emoções dos mais fracos, sem conseguir sequer resolver-se primeiro a si próprio.
Faz-me impressão que não saiba marcar uma viagem, pagar com Visa, acordar cedo, andar a pé.
Estamos longe! em realidades distintas!
Ora então cá vai ela... por e-mail, fresquinha, logo pela manhã.
Com os mapas detalhados de Amsterdão e Bangkok.

sábado, 14 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

No @Twitter


@ If you haven't made any mistakes recently, you must be doing something wrong.
@ If you are in love, don't use past experiences to guide your steps. You don't learn from past experiences in love. You just get more defensive, which is not good.

@ A critic is like an eunuch in a harem. He knows exactly how to make love, but...
@ We all know fear. But passion leads us to courage.
@ Quem tenta matar o tempo, está ofendendo a vida.
@ Se voce troca a liberdade por segurança, perde ambas.
@ As únicas pessoas que fazem amor todos os dias são os mentirosos.

@ Empower someone, and he will sell you in the slave market.
@ Be kind to unkind people - they need it more than anybody else.
@ You ask if love wins over anything. The answer is yes if you don't try to possess the subject of your love.
@ A humanidade tem duas escolhas terriveis: trabalhar ou assistir TV durante o dia.
@ We don't stop playing because we grow old. We grow old because we stop playing.
@ The secret of life is falling seven times and getting up eight.
@ Sou católico, passando um momento de profunda divergencia com o atual papa.
@ Vários livros mudaram minha vida. Mas o que me impulsionou a escrever foi "Tropico de Cancer", de Henry Miller.
@ Eu acho a missa o ritual mais completo que conheço. E olha que conheço rituais! Simplicidade e mistério, isso é tudo.
@ I am not easy to get bored, because I meet interesting people and I am a wonderful company to myself.
@ My perfect day consists in not repeating the same things I did the day before.
@ A  não pode ser medida como se mede uma estrada. As vezes tenho muita. As vezes duvido. Mas Deus está aí, apesar das duvidas.
@ I have many things and dreams in my life that I haven't done yet. That's why I am still alive.
@ Uma consciência limpa é sinal de falta de memória.
@ "Na Margem do RIo Piedra" nasceu da minha necessidade de compreender meu lado feminino.
@ Casamento é homem e mulher vivendo uma só vida. O problema é decidir qual das duas.
@ Não se pode perder ninguém, porque não somos proprietários de ninguém.
@ Jamais faria o Caminho de Santiago de novo. Certas coisas voce tem que viver até a última gota, depois deixar partir.
@ Já tive várias frustraçoes na vida, e continuarei tendo. O problema nao é a frustração; é ser incapaz de recuperar-se.
@ I cannot listen to music and write at the same time. Music for me is very powerfull, demands all my attention.
@ Se eu tivesse que definir o ser humano em uma palavra: peregrino. Caminha do nascimento à morte.
@ Arco e flecha é uma de minhas maneiras de meditar (kyudo). Nao consigo ficar sentado em lotus dizendo OMMMMM....
@ A nossa glória nao está em jamais cometer erros, e sim em corrigi-los imediatamente.
@ O silencio pode me aproximar de Deus. Mas os bares me aproximam das pessoas e eu acho que é isso que Deus quer.
@ Sadness is never a positive thing if it lasts more than three days. Give yourself three days and then say: "it is over".
@ O Amor é a força que pode te levar ao céu ou ao inferno. Todos que amamos já experimentamos ambos.
@ Conflito não é briga - mas as contradiçoes que temos no coração. Quem não tem contradição, não existe.
@ Entre alegria e felicidade, escolho a primeira. Alegria me enche de adrenalina. Felicidade faz-me engordar.

Ficava aqui o resto da noite a transcrever textos do MEC


"Com que então, morreu António Sérgio. Ora muito obrigado. Obrigado, Deus, por teres decidido. E obrigado, António, por te teres deixado levar. Veio mesmo a calhar a tua morte. O teu trabalho aqui na terra estava mais do que acabado e, graças a Deus, há centenas de novos Antónios Sérgios para te substituir. Que grande pontaria.
O que andam vocês todos a tramar na afterlife? A afterlife é a mais cool de todas as after hours. Não é música toda a noite e todo o dia: é música toda a cabrona da eternidade. Já lá estava uma redacção de sonho: o Rolo Duarte, o Fernando Assis Pacheco,o Cáceres Monteiro, o Manuel Beça Múrias, o Afonso Praça, a Edite Soeiro, o Eduardo Guerra Carneiro. Com uns colaboradores que já não existem e cujos nomes são tantos e tão grandes que não nomeio sequer um, com medo de vos deprimir com a comparação com a lista dos que ficámos vivos.
Que jornal; que revista; que estação de rádio estão vocês a fazer aí no pós-vida? Não lá em cima, no céu, mas aqui ao lado, paralelamente, no after, no depois, no enquanto estamos a dormir e a viver.
A morte de tanta gente boa faz-me acreditar que, quando cada um de nós morrer, seremos bem recebidos. Haverá bons inéditos; bons jornais; boa música; bom cinema. Imaginem só Bach, Wagner, John Lennon, Ian Curtis, Stockhausen - e, para apreciar e descobrir o resultado, António Sérgio.
Como sempre, adiantaste-te. E nós vamos atrás de ti. Está certo. Foi sempre assim."
Texto de Miguel Esteves Cardoso no Público

Miguel Esteves Cardoso no Público


"Em Agosto, que é esta merda de mês que acabou agora mesmo, descobrimos que a minha mulher tem um cancro na mama. Nós “descobrimos”: mas ela é que tem. Nem é tão simples: às vezes não foi ela que descobriu e sou só eu é que tenho. Tenho tentado escrever sobre tudo menos isso. Mas é sempre sobre o cancro dela que eu escrevo. Parece que é sobre uma praia mas a praia, em Novembro, já não é a mesma que em Agosto. Parece que é sobre uma uva mas a uva muda e o vinho é o que fica dessa mudança.
Tenho medo. O medo não é nada amigo de quem escreve.
Então quando faz medo de escrever certas coisas que fazem medo. Ou podem dar azar. Mas depois pensei assim: qual é a coisa que eu faço? Qual é a coisa para a qual tenho mais jeito?
A falar, sou uma miséria. Atropelo-me de tantas ideias contrárias; cada uma a ver se pega; a esganar-se a ver se fisga o ângulo por onde hei-de entrar.
Eu sei que a minha tristeza se nota. Que o amor pela minha mulher se nota mais ainda. E que isto são coisas chatas para quem passa o dia a trabalhar em coisas chatas e abre um jornal para se distrair.
Peço desculpa. Mas hoje tinha de ser. A Maria João deu-me licença. E eu abusei logo. Todos nós temos um problema que nos foge e vai matar. Todos nós fingimos que não é bem assim.
Mas é bem assim. E eu hoje tive de desabafar, por ter sido, nos últimos tempos, tão mentiroso e tão cobarde.
A verdade é sempre o melhor remédio. Dizem. Daqui para a frente vai ser pior.
Miguel Esteves Cardoso no Público

O Amor pode curar, o Stress pode matar


"O Amor, a Paz, o Equilíbrio, a Harmonia, a Compaixão, a Ternura e a Gentileza são-nos características inatas, Somos Almas Divinas.
No decurso das nossas vidas, esta nossa maravilhosa natureza interior vai ficando coberta por uma camada de medo, raiva, inveja, tristeza, insegurança e uma série de outros sentimentos negativos que vamos desenvolvendo.
Parecemos ser aquilo que não somos – pessoas iradas e receosas, cheias de complexos de culpa e duvidas a nosso respeito.
Esquecemo-nos completamente de quem somos.
Não precisamos de aprender nada sobre o amor e o equilíbrio, sobre a paz e a compaixão, sobre o perdão, a esperança e a fé. Isso são coisas que sempre soubemos.
É exactamente o oposto. Aquilo que precisamos é desaprender as nossas emoções e atitudes negativas que afectam as nossas vidas.
Somos almas imortais e divinas no caminho de regresso a casa.
Por baixo de todas as capas com que nos cobrimos sempre fomos verdadeiros diamantes.
Após o nascimento, a nossa principal fonte de aprendizagem são as relações.
É através da alegria e da dor que experimentamos na interacção com as outras pessoas, que progredimos nos nossos caminhos espirituais e assim podemos conhecer o amor visto de todos os lados.
As relações são um laboratório vivo, um teste prático para avaliarmos as nossas condições, se aprendemos as lições, e para descobrirmos até que ponto estamos a seguir o plano de vida que nós próprios determinámos.
Nas relações existe um evocar das nossas emoções e nós reagimos.
A prendemos a dar a outra face ou retaliamos com violência?
Seremos capazes de nos aproximar dos outros com compreensão, amor e compaixão ou reagimos com medo, egoísmo, raiva, preconceito, orgulho ou rejeição?
Sem as relações não tínhamos maneira de saber; não poderíamos testar o nosso progresso.
As relações são sem dúvida, as oportunidades maravilhosas, embora difíceis, de aprendermos.
Viemos cá para estarmos em comunhão, para aprendermos sobre o amor com outros seres humanos que estão no mesmo caminho que nós, que aprendem as mesmas lições.
O modo como tratámos os outros nos nossos relacionamentos é infinitamente mais importante do que tudo aquilo que tenhamos acumulado materialmente.
Quando morremos, levamos connosco os nossos comportamentos, as nossas acções, os pensamentos e o nosso conhecimento.
Quando olhar para os olhos de outra pessoa e vir a sua própria alma a olhar para si, então saberá que atingiu um outro nível de consciência.
Em “A Divina Sabedoria dos Mestres”

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Há um ano... mais coisa, menos coisa


Deve estar a fazer um ano
Eu acordei, mal dormida, num dia normal
Ele levantou-se no quarto ao lado
Preparou-me um café, acompanhou-me à paragem, despediu-se, seguiu, olhou para trás e sorriu
Voltei para casa ao fim do dia e percebi
Percebi, com alivío, que algures entre a genialidade e a loucura, ele tinha encontrado a coragem
E foi isto que ficou:
A minha admiração e respeito pela sua coragem
Uma mente em constante delírio com um momento de lucidez
Num salto premeditado mas sem rede nem amparo
Entregue à sua sorte
Por altura do Natal

domingo, 8 de novembro de 2009

Aromas de Outono


Foto excelente tirada daqui
Se eu hoje estivesse em Portugal, queria estar aqui.
De preferência contigo, de mão dada, a rirmos que nem uns perdidos naquela leziria ribatejana que sabes que me encanta.
A assistir ao desfile dos Romeiros de São Martinho
A correr cada tasquinha, a beber jeropiga e a aquecer as mãos num pacote de castanhas estaladiças e quentinhas.
A caminhar pelas ruas da terra, cheias de gente de toda a parte, misturados com os cavalos a passearem -se ao nosso lado e contigo a admirar as damas trajadas ao rigor da antiga portuguesa.
E a sentir os aromas -  não me saem da cabeça os aromas de outono da Feira da Golegã.

sábado, 7 de novembro de 2009

Zonas Húmidas

No New York Times lê-se que "em várias circunstâncias, documentadas pelos media alemães, leitores menos avisados terão desmaiado ao ler algumas passagens"...

E agora que acabei de o ler, acho que percebo porquê.
Ainda me passou pela cabeça que os desmaios fossem na sequência de orgasmos múltiplos - "Um relato chocante da sexualidade feminina, narrado na primeira pessoa".
... mas afinal parece-me que foi mais pela náusea dos detalhes particularmente nojentos do tipo:
 "...E foi assim que, pela primeira vez na minha ,bebi litros e litros do vomitado de outra pessoa. Misturado com o meu próprio vomitado..."
Blarghh!! Disgusting, isn't it?!
De qualquer maneira fartei-me de rir com o raciocínio hiper activo da Helen, uma miúda de 18 anos, demasiado curiosa, brutalmente inteligente, demasiado experimentada em sexo, drogas... e uma inacreditável falta de higiene.
É daquelas miúdas que questiona a causa da coisas até à exaustão e que se distrai sozinha com qualquer ideia, mais ou menos genial.
Uma miúda de 18 anos, demasiado solta na vida e que sofre com a falta de afecto e atenção dos pais.
Acho que é um livro para adolescentes, para mulheres que já foram adolescentes e para as mães destas miúdas - talvez algumas consigam entrar no impenetrável mundo das filhas e outras se revejam surpreendentemente em pormenores e pensamentos que nunca tiveram coragem de contar nem à melhor amiga, por tão idiotas que são.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pelo sim, pelo não...

Eles apanhavam o mesmo comboio todos os dias, à mesma hora. Repararam um no outro, falaram sobre o tempo e outras banalidades.
Trocaram livros, musicas, filmes, segredos, desabafos e
Ele disse-lhe que ela tinha qualquer coisa diferente, um brilho que ele não sabia pôr em palavras.
Ela desconfiou.
Ele deslumbrou-se.
Ela assustou-se.
Olhou para si - não era nem alta nem baixa, nem gorda nem magra, nem bonita nem feia, nem pobre nem rica - uma pessoa normal.
Pensou qual seria a verdadeira intenção ou no que ele lhe poderia vir a pedir.
Pensou que não tinha nada de especial para lhe dar.
Pelo sim, pelo não, ela deixou de apanhar o mesmo comboio, todos os dias, à mesma hora.
Ele sentiu pena.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

It´s so Simple


Nós somos bons em coisas complicadas.
Somos bons em fórmulas quimicas e teorias matemáticas.
Somos muito bons a construir uma carreira ou uma empresa.
Somos excelentes a produzir e conseguir o maior lucro possivel.
Somos fantásticos a falar 5 idiomas diferentes.
Somos especialistas em não ter tempo para os outros.
Somos óptimos a inventar desculpas para disfarçar os nossos medos.
Somos quase perfeitos a esconder emoções.
Somos mestres em sabotar e estragar o Amor com pretextos sem valor nem verdade.
Transformámos os afectos em relações sociais neste mundo de dualidades.
Esquecemos como se anda de mão dada e nos encontramos ao olhar no fundo dos olhos do outro... e se sorri.
Disseram-nos que ser Feliz é ser-se rico, bonito, magro, bem sucedido, ir à missa e comungar, casar, ter filhos e muitos amigos.
Ninguém nos ensinou como se Ama, como se sofre, como se cresce.
Ninguém nos ensina de que é feita a nossa Alma, de onde vem, para onde vai.
Não nos ensinam a conhecermo-nos enquanto individuos, que para Amar, precisamos primeiro Amar-nos a nós proprios e à nossa consciência.
Não nos ensinaram que confiar no outro é um acto de fé.

Como diz Robert Happé nesta entrevista de 4 partes, extraordinária por tão simples e sincera que é, a unica coisa que realmente todos desejamos enquanto seres humanos, é Amar e sermos Amados.
Amor simples, puro, limpo, eterno.
É tão simples...
Nós é que complicamos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Livre Arbitrío

Eu gosto de balanços e balancetes
É importante espreitar a nossa história pessoal

Podia ter sido freira, escoteira sénior, boa rapariga
E ter uma vida dedicada aos outros
Podia ter ido para o conservatório ensinar o solfejo
E ter uma vida estupidamente serena
Podia ter sido punk, gothica ou surfista
E ser rebelde inconsciente
Podia ter sido programadora de sistemas complicados
E ser alucinada por wasp's e byte's
Podia ter casado com o primeiro namorado
E ter uma vidinha
Podia ser uma noctívaga boémia
E ter-me perdido
Podia continuar com um sociabilíssimo apelido de casada
E esconder as nódoas negras
Podia ter entrado para listas elegíveis
E supostamente ter poder
Podia dedicar-me ao prazer fácil
E ver a vida na horizontal
Podia ter continuado na Foz
Mas fechadinha à chave

Não digo que não senti culpa, arrependimento, mágoa e medo
Ou que fiz as opções correctas, que sempre fui feliz
Acredito que estar vivo é aceitar o que a vida tem para nos oferecer
Que o nosso caminho é feito de opções
E a isto eu não chamo Destino ou Determinismo mas Livre Arbítrio
(ou Karma... mas isso é outro post)

domingo, 1 de novembro de 2009

Sublime


O Sublime por oposição ao medíocre

sábado, 31 de outubro de 2009

Mediocritate


“Ceux de qui la conduite offre le plus à rire
Sont toujours sur autrui les premiers à medire”.
Moliére


“Muitos nascem: poucos vivem.
Os homens sem personalidade são inumeráveis e vegetam, moldados pelo meio, como cera fundida no cadinho social.
Pela sua moralidade de catecismo e a sua inteligência quadriculada, constrangem-se a uma perpétua disciplina do pensamento e da conduta.
O homem medíocre é uma sombra projectada pela sociedade; é por essência, imitador e está perfeitamente adaptado para viver em rebanho, reflectindo rotinas, preconceitos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade."
Os homens medíocres, afirma Ingenieros:
“São rotineiros, honestos, mansos; pensam com a cabeça dos outros, codividem a hipocrisia moral alheia, e ajustam o seu carácter às domesticidades convencionais.
Estão fora da sua órbita o engenho, a virtude e a dignidade, privilégio dos carácteres excelentes; sofrem, por isso desdenham-nos.
São cegos para as auroras; ignoram a quimera do artista, o sonho do sábio e a paixão do apóstolo.
Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito, para além dos seus horizontes.
O horror do desconhecido ata-os a mil preconceitos tornando-os medrosos e indecisos; nada aguilhoa a sua curiosidade; carecem de iniciativa e olham sempre para o passado, como se tivessem olhos na nuca.
São incapazes de virtude; ou não a concebem ou lhes exige demasiado esforço.
Não vibram com tensões mais altas de energia; são frios, embora ignorem a seriedade; apáticos, sempre acomodativos e desequilibrados.
Não sabem estremecer num calafrio, sob uma carícia terna, nem desencadear de indignação perante uma ofensa.
Não vivem a sua vida para si mesmos, senão para o fantasma que projectam na opinião dos seus semelhantes.
Trocam a sua honra por uma prebenda e fecham a sua dignidade à chave para evitar o perigo; renunciaram a viver em vez de gritar a verdade em face do erro de muitos.
Quando se arrebanham, são perigosos. A força do número supre a debilidade individual.
São prosáicos.
Não têm ânsias de perfeição: a ausência de ideias impede-os de pôr nos seus actos, o grão de sal que profetiza a vida.
Vivem uma vida que não é viver.
Crescem e morrem como plantas; não necessitam ser curiosos, nem observadores.
São prudentes, por definição, de uma prudência desanimadora.
Desprovidos de asas e de penacho, os carácteres medíocres são incapazes de voar até um píncaro ou de lutar contra um rebanho.
A sua vida é uma perpétua cumplicidade à vida alheia.
São refractários e hostis a todo o gesto digno.
Vivem dos outros e para os outros: Carecem de luz, de arrojo, de fogo, de emoção.
Tudo neles é emprestado.
O maldizente, covarde entre todos os envenenadores, está certo de sua impunidade: por isso, é desprezível.
Não afirma: insinua.
Mente com espontaneidade, como respira.
Sabe seleccionar o que vai convergir com a detracção.
Sem covardia, não há maldizência.
Aquele que pode gritar, face a face, uma injúria, aquele que denuncia em voz, aquele que aceita os riscos dos seus dizeres não é maldizente.
A ironía é a perfeição do engenho, uma convergência de intenção e sorriso, aguda na oportunidade, justa na medida.
É-lhe mais fácil ridicularizar uma acção sublime.
O Homem Medíocre José Ingenieros

"Os estúpidos merecem um bilhete de identidade próprio, porque são eles que sustentam a estupidez colectiva"
O Zahir