segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dicotomia Divina


"Eu sou o Deus
Eu sou a Deusa
Eu sou o Ser Supremo
O Todo de Tudo
O Principio e o Fim. O Alfa e o Omega
Sou a Soma e a Parcela. A Pergunta e a Resposta. O Alto e o Baixo. A Esquerda e a Direita, o Aqui e o Agora, o Antes e o Depois.
Eu sou a Luz e sou as Trevas que criam a luz e a tornam possivel.
Eu sou a Bondade sem fim e a Maldade que torna boa a bondade.
Sou todas estas coisas - o Todo de Tudo - e não posso experienciar qualquer parte do meu Eu sem experienciar todo o meu Eu.
E é isso que não compreeendes a meu respeito.
Queres fazer de mim um e não o outro. O alto e não o baixo. O Bom e não o mau.
Mas ao negares metade de mim, negas metade do teu Eu."
in "Conversas com Deus"

Géa ou Gaia - Grande Deusa Mãe


"Numa fase inicial da vossa história, viveram numa sociedade matriarcal onde as mulheres governavam tudo segundo as suas emoções. Detinham todas as posições governamentais, religiosas, de poder, na ciência, no ensino e na cura. Os homens não tinham poder nenhum, apenas justificavam a sua existência pela capacidade de fertilizar óvulos femininos e transportar objectos pesados.
Houve então uma mudança e emergiu o patriarcado.
Quando fizeram essa mudança, deixaram de exprimir as vossas emoções. Classificaram-no como "fraqueza". Foi durante esse periodo que os membros do sexo masculino inventaram o Deus e o diabo masculinos. Utliziram o medo porque era o unico instrumento que possuiam. O medo era a unica coisa com que as mulheres não tinham contado.
Toda a ideia de Divindade foi subvertida.
Em vez de ser a fonte de todo o Amor, passou a ser a fonte de todo o medo.O modelo de Amor maioritariamente feminino foi substituido pelo amor ciumento e irado de um Deus exigente e intolerante, que não admitia nenhuma falha nem ignorava nenhuma ofensa.
O sorriso da Deusa divertida, sentindo um Amor ilimitado e submetendo-se docemente às leis da Natureza, foi substituido pela face austera do Deus sério, limitando o Amor para todo o sempre."
in Conversas com Deus

Eu sou o ventre da terra. Eu sou os sulcos dos campos. Eu sou a cúspide da lua. Eu sou as gotinhas da chuva. Eu sou as ondas do oceano. Eu venho com os feixes do trigo para alimentá-los, com cestas de frutas para abençoar a sua mesa e com água transparente e fresca para saciar a sua sede. Eu sou a essência generosa da vida. Eu sou a condutora das crianças, não para matarem e serem assassinadas, mas para apoiarem a vida, plantarem sementes, produzirem colheitas, nutrirem a vida.

domingo, 29 de novembro de 2009

Força Extrema da Natureza


Sol                    Escorpião
Ascendente  Capricórnio
Lua                   Escorpião
Mercúrio        Escorpião
Vênus              Escorpião
Marte              Virgem
Júpiter            Capricórnio
Saturno           Leão
Urano              Leão
Netuno            Escorpião
Plutão             Virgem
Uma suposta relação entre duas pessoas com um Horóscopo composto como este, significa uma coisa que pode resultar em duas:
Uma força natural de intensidade brutal, que pode conduzir ambos à cura espiritual e redenção da alma ou ao perigo.
Hmmm e erotismo pois está claro, muita sensualidade, muito sexo, muito bom.

A brincar com o Fogo

Porra... Queimei-me!
E dói... Como dói

Fraqueza e Vulnerabilidade

Como a aranha ou o bicharoco que sente que vai ser esmagado se imobiliza com medo e finge estar morto, numa tentativa derradeira de se salvar, assim sou eu.
Quando sinto que perdi o chão, a esperança, a confiança e sinto que vou ser esmagada pela sensação de rejeição, frustração, perda e tristeza, entro em auto-sabotagem e fingo uma displicência silenciosa aterradora.
É raro acontecer mas quando gosto de verdade é sempre de alguém com qualidades superiores, mais forte, mais bonito, mais inteligente, mais divertido, mais social, mais emotivo, mais sensivel, mais acima, mais além.
Apaixono-me por alguém que não consigo, não quero controlar e evito ao máximo entrar em jogos de razão e poder.
Pelos braços fortes capazes de me aguentar e de me defender.
Pela águia capaz de voar mais alto que eu.
Pelo menino que quero acariciar e cuidar.
Apaixono-me num filme romântico em que por trás de um grande Homem está apenas uma Mulher Feminina que se entrega, num cenário de doçura, ternura, desejo e paixão.
Sou a Guerreira agressiva e defensiva  das 09:00h às 06:00h mas tiro a armadura quando chego a casa.
Por isso admito a minha vulnerabilidade, fraqueza e sensibilidade na paixão e no Amor.
Admito que não tenho a força nem a estrutura emocional para acompanhar personalidades demasiado fortes quando a minha está demasiado frágil.
Não sei como se luta por alguém que não nos pode pertencer.
Não sei como se faz quando o que sinto é demasiado grande para caber numa realidade bem limitada.
Não sei como se faz quando se sente o chão a fugir, o céu a desabar e as mãos a suar.
Não sei como se está com alguém que já não está lá.
Não sei estar na vida do outro como uma intrusa.
Não sei competir com outras mulheres muito mais mulheres que eu.
E aconteceu o que não era suposto acontecer: pela segunda vez na vida aconteceu e percebi que não mudei assim tanto desde os 17 anos.
Mea culpa

Missão cumprida


Por vezes suge-nos uma missão.
No  inicío, temos apenas algumas peças de um grande puzzle, e naturalmente não fazemos a interpretação correcta do quadro em que acabámos entrar.
Sentimos desde o inicio um forte aperto no coração que nos diz que vai ser algo de importante.
A nossa intuição dá uma ajuda, diz-nos que não devemos desistir e que vai valer a pena continuar.
Aos poucos vamos percebendo o quanto é importante é o nosso papel.
E o do outro - porque quando duas pessoas se encontram, o Universo é justo e a gratificação final é sempre reciproca.
Entregamo-nos a fundo, mergulhamos nela de cabeça, dedicamos-lhe o corpo e a Alma, esquecemos tudo o resto porque sentimos que o tempo é escasso e nos foge por entre os dedos, por mais que o tentemos segurar.
Como todas as grandes mudanças têm de começar por algum lado, é preciso desbravar, preparar o terreno e marcar o caminho.
O Caminho de Alguem que apenas precisa que lhe recordemos a esperança, a sábia ingenuidade, a capacidade de voltar a Amar sem desconfiança e com verdade, a Fé na Mulher e no seu Amor maior, sem idade.
Estava escrita uma história nas Estrelas.
Uma historia bonita, daquelas que nos encanta, cheia de magia, com um final Feliz.
E sossega-nos o coração saber que fomos parte dela e ele da nossa.

?Almas Gémeas?

Porto, Novembro 2004
Com Dulce Regina - Ipanema Park
Um portátil, um gravador, nomes e datas de nascimento

- Você viveu na India, em 1840
- Na India? Mas não me identifico em nada com a India nem com o séc. IX
Encanta-me a musica antiga, os madrigais de Monteverdi fazem-me dançar como que por instinto
- Abandonou toda a sua familia
Fugiu, talvez para Londres em plena época victoriana
Está a ver as linhas encarnadas? representam o seu Karma
Não tem tanto assim... mas é um karma de Amor e abandono
Lucas? A minha alma gémea também se chama Lucas
- Sim, eu sei, eu li o seu livro
- É... ele é a sua alma gémea... matriz
- Imagino que seja
- Mas não significa que ficarão juntos nesta vida
Estão em estágios evolucionais diferentes e têm uma divida de perdão mutúo

Com ele perdi a virgindade, entreguei-me, sofri e dele me vinguei numa traíção infantil declarada.
Por ele casei, fugi para o Porto para o esquecer, por ele fui a Santiago agradecer o reencontro.
Passaram 5 anos desde a consulta com a Dulce R. e aprendi que temos todas as verdades dentro de nós.
Hoje somos amigos, como 2 irmãos que se conhecem demasiado bem e sem qualquer tipo de atracção.
Passou o encantamento e a maldição
Passou a angústia e a dor
Eu pedi perdão, sanei a minha culpa e desatei o ultimo nó que tinha
E passou o que eu chamava de Amor

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Cabecinhas...

Os meus brinquedos fazem cócegas nos olhinhos das meninas-de-cabeça-pequenina do aeroporto de Lisboa mas vão ter de se habituar.
Um dia destes levo a minha colecção completa e vai ser um bBzrrrzZZzz de todas as cores na passadeira do raio-x.
Apanham um tamanho susto que ainda acabam por soltar um aaAAhhhHH de olhos fechados, que é para isso que eles servem e parece-me que é disso que precisam.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a.
Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os humanos, que costumam dar provas dessa confiança.
A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso acreditar em alguém e conhecê-lo para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínseco.
Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa.

domingo, 15 de novembro de 2009

O Amor é a falácia de acreditar que uma pessoa pode realmente ser diferente da outra


Ele olhou-a nos olhos, Ela viu-lhe a Alma
Ela sensual, Ele sedutor
Ela a aluna, Ele o professor
Ela a cura, Ele o redentor
Ela o instinto, Ele o saber
Ele o tacto, Ela o paladar
Ela o sonho, Ele o despertar
Ele o gourmet, Ela o caviar
Ele os sentidos, Ela a razão
Ele o filósofo, Ela a emoção
Ele a Luz, Ela a chama
Ele a física, Ela a química
Ele sólido, Ela líquida
Ela o sol, Ele a neve
Ele a eira, Ela a beira
Ele a procura, Ela a descoberta
Ele sussurra, Ela suspira
Ela escreve-o, Ele inspira-a
Ela a princesa, Ele o castelo
Ela a marmelada , Ele o marmelo
Ele o Beatle, Ela o submarino amarelo
Ele a franqueza, Ela a verdade
Ele a ambivalência, Ela a ambiguidade
Ela o desejo, Ele a vontade
Ele a compaixão, Ela o perdão
Ele o combustivel, Ela a combustão
Ele a lava, Ela o vulcão
Ele o carvão, Ela a explosão
Ele falava, Ela ouvia
Ele contava, Ela ria
Ele tocava, Ela sentia
Ela brincava, Ele gostava
Ele admirava-a, Ela o respeitava
Ele perdia-se nela, e nele é que Ela se encontrava
mais ou menos copiado e adulterado daqui

Fim-de-semana em Dublin?

Não gosto de Psis.
Especialmente deste, que além de ser pseudo-psi é ex-namorado e padrinho de ex-casamento.
Além disso entrou para a lista dos medíocres mesquinhos, aspirante a uma poupança obscena nas Ilhas Caimão.
De vez em quando ressuscita, com os seus traumas de filho unico insuportavel, a pedir um colinho que deixou de ter precisamente há 16 anos, mais ou menos por esta altura.
Com certeza sublimou e recalcou as ferroadas a frio que levou.
Ou é tão frio que nem as sentiu.
Nada como uma boa insónia e um transito de Vénus por Escorpião para refrescar a memória a um tarado imbecil, insensível, desconfiado da própria sombra que ganha a vida a domesticar as emoções dos mais fracos, sem conseguir sequer resolver-se primeiro a si próprio.
Faz-me impressão que não saiba marcar uma viagem, pagar com Visa, acordar cedo, andar a pé.
Estamos longe! em realidades distintas!
Ora então cá vai ela... por e-mail, fresquinha, logo pela manhã.
Com os mapas detalhados de Amsterdão e Bangkok.

sábado, 14 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

No @Twitter


@ If you haven't made any mistakes recently, you must be doing something wrong.
@ If you are in love, don't use past experiences to guide your steps. You don't learn from past experiences in love. You just get more defensive, which is not good.

@ A critic is like an eunuch in a harem. He knows exactly how to make love, but...
@ We all know fear. But passion leads us to courage.
@ Quem tenta matar o tempo, está ofendendo a vida.
@ Se voce troca a liberdade por segurança, perde ambas.
@ As únicas pessoas que fazem amor todos os dias são os mentirosos.

@ Empower someone, and he will sell you in the slave market.
@ Be kind to unkind people - they need it more than anybody else.
@ You ask if love wins over anything. The answer is yes if you don't try to possess the subject of your love.
@ A humanidade tem duas escolhas terriveis: trabalhar ou assistir TV durante o dia.
@ We don't stop playing because we grow old. We grow old because we stop playing.
@ The secret of life is falling seven times and getting up eight.
@ Sou católico, passando um momento de profunda divergencia com o atual papa.
@ Vários livros mudaram minha vida. Mas o que me impulsionou a escrever foi "Tropico de Cancer", de Henry Miller.
@ Eu acho a missa o ritual mais completo que conheço. E olha que conheço rituais! Simplicidade e mistério, isso é tudo.
@ I am not easy to get bored, because I meet interesting people and I am a wonderful company to myself.
@ My perfect day consists in not repeating the same things I did the day before.
@ A  não pode ser medida como se mede uma estrada. As vezes tenho muita. As vezes duvido. Mas Deus está aí, apesar das duvidas.
@ I have many things and dreams in my life that I haven't done yet. That's why I am still alive.
@ Uma consciência limpa é sinal de falta de memória.
@ "Na Margem do RIo Piedra" nasceu da minha necessidade de compreender meu lado feminino.
@ Casamento é homem e mulher vivendo uma só vida. O problema é decidir qual das duas.
@ Não se pode perder ninguém, porque não somos proprietários de ninguém.
@ Jamais faria o Caminho de Santiago de novo. Certas coisas voce tem que viver até a última gota, depois deixar partir.
@ Já tive várias frustraçoes na vida, e continuarei tendo. O problema nao é a frustração; é ser incapaz de recuperar-se.
@ I cannot listen to music and write at the same time. Music for me is very powerfull, demands all my attention.
@ Se eu tivesse que definir o ser humano em uma palavra: peregrino. Caminha do nascimento à morte.
@ Arco e flecha é uma de minhas maneiras de meditar (kyudo). Nao consigo ficar sentado em lotus dizendo OMMMMM....
@ A nossa glória nao está em jamais cometer erros, e sim em corrigi-los imediatamente.
@ O silencio pode me aproximar de Deus. Mas os bares me aproximam das pessoas e eu acho que é isso que Deus quer.
@ Sadness is never a positive thing if it lasts more than three days. Give yourself three days and then say: "it is over".
@ O Amor é a força que pode te levar ao céu ou ao inferno. Todos que amamos já experimentamos ambos.
@ Conflito não é briga - mas as contradiçoes que temos no coração. Quem não tem contradição, não existe.
@ Entre alegria e felicidade, escolho a primeira. Alegria me enche de adrenalina. Felicidade faz-me engordar.

Ficava aqui o resto da noite a transcrever textos do MEC


"Com que então, morreu António Sérgio. Ora muito obrigado. Obrigado, Deus, por teres decidido. E obrigado, António, por te teres deixado levar. Veio mesmo a calhar a tua morte. O teu trabalho aqui na terra estava mais do que acabado e, graças a Deus, há centenas de novos Antónios Sérgios para te substituir. Que grande pontaria.
O que andam vocês todos a tramar na afterlife? A afterlife é a mais cool de todas as after hours. Não é música toda a noite e todo o dia: é música toda a cabrona da eternidade. Já lá estava uma redacção de sonho: o Rolo Duarte, o Fernando Assis Pacheco,o Cáceres Monteiro, o Manuel Beça Múrias, o Afonso Praça, a Edite Soeiro, o Eduardo Guerra Carneiro. Com uns colaboradores que já não existem e cujos nomes são tantos e tão grandes que não nomeio sequer um, com medo de vos deprimir com a comparação com a lista dos que ficámos vivos.
Que jornal; que revista; que estação de rádio estão vocês a fazer aí no pós-vida? Não lá em cima, no céu, mas aqui ao lado, paralelamente, no after, no depois, no enquanto estamos a dormir e a viver.
A morte de tanta gente boa faz-me acreditar que, quando cada um de nós morrer, seremos bem recebidos. Haverá bons inéditos; bons jornais; boa música; bom cinema. Imaginem só Bach, Wagner, John Lennon, Ian Curtis, Stockhausen - e, para apreciar e descobrir o resultado, António Sérgio.
Como sempre, adiantaste-te. E nós vamos atrás de ti. Está certo. Foi sempre assim."
Texto de Miguel Esteves Cardoso no Público

Miguel Esteves Cardoso no Público


"Em Agosto, que é esta merda de mês que acabou agora mesmo, descobrimos que a minha mulher tem um cancro na mama. Nós “descobrimos”: mas ela é que tem. Nem é tão simples: às vezes não foi ela que descobriu e sou só eu é que tenho. Tenho tentado escrever sobre tudo menos isso. Mas é sempre sobre o cancro dela que eu escrevo. Parece que é sobre uma praia mas a praia, em Novembro, já não é a mesma que em Agosto. Parece que é sobre uma uva mas a uva muda e o vinho é o que fica dessa mudança.
Tenho medo. O medo não é nada amigo de quem escreve.
Então quando faz medo de escrever certas coisas que fazem medo. Ou podem dar azar. Mas depois pensei assim: qual é a coisa que eu faço? Qual é a coisa para a qual tenho mais jeito?
A falar, sou uma miséria. Atropelo-me de tantas ideias contrárias; cada uma a ver se pega; a esganar-se a ver se fisga o ângulo por onde hei-de entrar.
Eu sei que a minha tristeza se nota. Que o amor pela minha mulher se nota mais ainda. E que isto são coisas chatas para quem passa o dia a trabalhar em coisas chatas e abre um jornal para se distrair.
Peço desculpa. Mas hoje tinha de ser. A Maria João deu-me licença. E eu abusei logo. Todos nós temos um problema que nos foge e vai matar. Todos nós fingimos que não é bem assim.
Mas é bem assim. E eu hoje tive de desabafar, por ter sido, nos últimos tempos, tão mentiroso e tão cobarde.
A verdade é sempre o melhor remédio. Dizem. Daqui para a frente vai ser pior.
Miguel Esteves Cardoso no Público

O Amor pode curar, o Stress pode matar


"O Amor, a Paz, o Equilíbrio, a Harmonia, a Compaixão, a Ternura e a Gentileza são-nos características inatas, Somos Almas Divinas.
No decurso das nossas vidas, esta nossa maravilhosa natureza interior vai ficando coberta por uma camada de medo, raiva, inveja, tristeza, insegurança e uma série de outros sentimentos negativos que vamos desenvolvendo.
Parecemos ser aquilo que não somos – pessoas iradas e receosas, cheias de complexos de culpa e duvidas a nosso respeito.
Esquecemo-nos completamente de quem somos.
Não precisamos de aprender nada sobre o amor e o equilíbrio, sobre a paz e a compaixão, sobre o perdão, a esperança e a fé. Isso são coisas que sempre soubemos.
É exactamente o oposto. Aquilo que precisamos é desaprender as nossas emoções e atitudes negativas que afectam as nossas vidas.
Somos almas imortais e divinas no caminho de regresso a casa.
Por baixo de todas as capas com que nos cobrimos sempre fomos verdadeiros diamantes.
Após o nascimento, a nossa principal fonte de aprendizagem são as relações.
É através da alegria e da dor que experimentamos na interacção com as outras pessoas, que progredimos nos nossos caminhos espirituais e assim podemos conhecer o amor visto de todos os lados.
As relações são um laboratório vivo, um teste prático para avaliarmos as nossas condições, se aprendemos as lições, e para descobrirmos até que ponto estamos a seguir o plano de vida que nós próprios determinámos.
Nas relações existe um evocar das nossas emoções e nós reagimos.
A prendemos a dar a outra face ou retaliamos com violência?
Seremos capazes de nos aproximar dos outros com compreensão, amor e compaixão ou reagimos com medo, egoísmo, raiva, preconceito, orgulho ou rejeição?
Sem as relações não tínhamos maneira de saber; não poderíamos testar o nosso progresso.
As relações são sem dúvida, as oportunidades maravilhosas, embora difíceis, de aprendermos.
Viemos cá para estarmos em comunhão, para aprendermos sobre o amor com outros seres humanos que estão no mesmo caminho que nós, que aprendem as mesmas lições.
O modo como tratámos os outros nos nossos relacionamentos é infinitamente mais importante do que tudo aquilo que tenhamos acumulado materialmente.
Quando morremos, levamos connosco os nossos comportamentos, as nossas acções, os pensamentos e o nosso conhecimento.
Quando olhar para os olhos de outra pessoa e vir a sua própria alma a olhar para si, então saberá que atingiu um outro nível de consciência.
Em “A Divina Sabedoria dos Mestres”

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Há um ano... mais coisa, menos coisa


Deve estar a fazer um ano
Eu acordei, mal dormida, num dia normal
Ele levantou-se no quarto ao lado
Preparou-me um café, acompanhou-me à paragem, despediu-se, seguiu, olhou para trás e sorriu
Voltei para casa ao fim do dia e percebi
Percebi, com alivío, que algures entre a genialidade e a loucura, ele tinha encontrado a coragem
E foi isto que ficou:
A minha admiração e respeito pela sua coragem
Uma mente em constante delírio com um momento de lucidez
Num salto premeditado mas sem rede nem amparo
Entregue à sua sorte
Por altura do Natal

domingo, 8 de novembro de 2009

Aromas de Outono


Foto excelente tirada daqui
Se eu hoje estivesse em Portugal, queria estar aqui.
De preferência contigo, de mão dada, a rirmos que nem uns perdidos naquela leziria ribatejana que sabes que me encanta.
A assistir ao desfile dos Romeiros de São Martinho
A correr cada tasquinha, a beber jeropiga e a aquecer as mãos num pacote de castanhas estaladiças e quentinhas.
A caminhar pelas ruas da terra, cheias de gente de toda a parte, misturados com os cavalos a passearem -se ao nosso lado e contigo a admirar as damas trajadas ao rigor da antiga portuguesa.
E a sentir os aromas -  não me saem da cabeça os aromas de outono da Feira da Golegã.

sábado, 7 de novembro de 2009

Zonas Húmidas

No New York Times lê-se que "em várias circunstâncias, documentadas pelos media alemães, leitores menos avisados terão desmaiado ao ler algumas passagens"...

E agora que acabei de o ler, acho que percebo porquê.
Ainda me passou pela cabeça que os desmaios fossem na sequência de orgasmos múltiplos - "Um relato chocante da sexualidade feminina, narrado na primeira pessoa".
... mas afinal parece-me que foi mais pela náusea dos detalhes particularmente nojentos do tipo:
 "...E foi assim que, pela primeira vez na minha ,bebi litros e litros do vomitado de outra pessoa. Misturado com o meu próprio vomitado..."
Blarghh!! Disgusting, isn't it?!
De qualquer maneira fartei-me de rir com o raciocínio hiper activo da Helen, uma miúda de 18 anos, demasiado curiosa, brutalmente inteligente, demasiado experimentada em sexo, drogas... e uma inacreditável falta de higiene.
É daquelas miúdas que questiona a causa da coisas até à exaustão e que se distrai sozinha com qualquer ideia, mais ou menos genial.
Uma miúda de 18 anos, demasiado solta na vida e que sofre com a falta de afecto e atenção dos pais.
Acho que é um livro para adolescentes, para mulheres que já foram adolescentes e para as mães destas miúdas - talvez algumas consigam entrar no impenetrável mundo das filhas e outras se revejam surpreendentemente em pormenores e pensamentos que nunca tiveram coragem de contar nem à melhor amiga, por tão idiotas que são.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pelo sim, pelo não...

Eles apanhavam o mesmo comboio todos os dias, à mesma hora. Repararam um no outro, falaram sobre o tempo e outras banalidades.
Trocaram livros, musicas, filmes, segredos, desabafos e
Ele disse-lhe que ela tinha qualquer coisa diferente, um brilho que ele não sabia pôr em palavras.
Ela desconfiou.
Ele deslumbrou-se.
Ela assustou-se.
Olhou para si - não era nem alta nem baixa, nem gorda nem magra, nem bonita nem feia, nem pobre nem rica - uma pessoa normal.
Pensou qual seria a verdadeira intenção ou no que ele lhe poderia vir a pedir.
Pensou que não tinha nada de especial para lhe dar.
Pelo sim, pelo não, ela deixou de apanhar o mesmo comboio, todos os dias, à mesma hora.
Ele sentiu pena.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

It´s so Simple


Nós somos bons em coisas complicadas.
Somos bons em fórmulas quimicas e teorias matemáticas.
Somos muito bons a construir uma carreira ou uma empresa.
Somos excelentes a produzir e conseguir o maior lucro possivel.
Somos fantásticos a falar 5 idiomas diferentes.
Somos especialistas em não ter tempo para os outros.
Somos óptimos a inventar desculpas para disfarçar os nossos medos.
Somos quase perfeitos a esconder emoções.
Somos mestres em sabotar e estragar o Amor com pretextos sem valor nem verdade.
Transformámos os afectos em relações sociais neste mundo de dualidades.
Esquecemos como se anda de mão dada e nos encontramos ao olhar no fundo dos olhos do outro... e se sorri.
Disseram-nos que ser Feliz é ser-se rico, bonito, magro, bem sucedido, ir à missa e comungar, casar, ter filhos e muitos amigos.
Ninguém nos ensinou como se Ama, como se sofre, como se cresce.
Ninguém nos ensina de que é feita a nossa Alma, de onde vem, para onde vai.
Não nos ensinam a conhecermo-nos enquanto individuos, que para Amar, precisamos primeiro Amar-nos a nós proprios e à nossa consciência.
Não nos ensinaram que confiar no outro é um acto de fé.

Como diz Robert Happé nesta entrevista de 4 partes, extraordinária por tão simples e sincera que é, a unica coisa que realmente todos desejamos enquanto seres humanos, é Amar e sermos Amados.
Amor simples, puro, limpo, eterno.
É tão simples...
Nós é que complicamos.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Livre Arbitrío

Eu gosto de balanços e balancetes
É importante espreitar a nossa história pessoal

Podia ter sido freira, escoteira sénior, boa rapariga
E ter uma vida dedicada aos outros
Podia ter ido para o conservatório ensinar o solfejo
E ter uma vida estupidamente serena
Podia ter sido punk, gothica ou surfista
E ser rebelde inconsciente
Podia ter sido programadora de sistemas complicados
E ser alucinada por wasp's e byte's
Podia ter casado com o primeiro namorado
E ter uma vidinha
Podia ser uma noctívaga boémia
E ter-me perdido
Podia continuar com um sociabilíssimo apelido de casada
E esconder as nódoas negras
Podia ter entrado para listas elegíveis
E supostamente ter poder
Podia dedicar-me ao prazer fácil
E ver a vida na horizontal
Podia ter continuado na Foz
Mas fechadinha à chave

Não digo que não senti culpa, arrependimento, mágoa e medo
Ou que fiz as opções correctas, que sempre fui feliz
Acredito que estar vivo é aceitar o que a vida tem para nos oferecer
Que o nosso caminho é feito de opções
E a isto eu não chamo Destino ou Determinismo mas Livre Arbítrio
(ou Karma... mas isso é outro post)

domingo, 1 de novembro de 2009

Sublime


O Sublime por oposição ao medíocre

sábado, 31 de outubro de 2009

Mediocritate


“Ceux de qui la conduite offre le plus à rire
Sont toujours sur autrui les premiers à medire”.
Moliére


“Muitos nascem: poucos vivem.
Os homens sem personalidade são inumeráveis e vegetam, moldados pelo meio, como cera fundida no cadinho social.
Pela sua moralidade de catecismo e a sua inteligência quadriculada, constrangem-se a uma perpétua disciplina do pensamento e da conduta.
O homem medíocre é uma sombra projectada pela sociedade; é por essência, imitador e está perfeitamente adaptado para viver em rebanho, reflectindo rotinas, preconceitos e dogmatismos reconhecidamente úteis para a domesticidade."
Os homens medíocres, afirma Ingenieros:
“São rotineiros, honestos, mansos; pensam com a cabeça dos outros, codividem a hipocrisia moral alheia, e ajustam o seu carácter às domesticidades convencionais.
Estão fora da sua órbita o engenho, a virtude e a dignidade, privilégio dos carácteres excelentes; sofrem, por isso desdenham-nos.
São cegos para as auroras; ignoram a quimera do artista, o sonho do sábio e a paixão do apóstolo.
Condenados a vegetar, não suspeitam que existe o infinito, para além dos seus horizontes.
O horror do desconhecido ata-os a mil preconceitos tornando-os medrosos e indecisos; nada aguilhoa a sua curiosidade; carecem de iniciativa e olham sempre para o passado, como se tivessem olhos na nuca.
São incapazes de virtude; ou não a concebem ou lhes exige demasiado esforço.
Não vibram com tensões mais altas de energia; são frios, embora ignorem a seriedade; apáticos, sempre acomodativos e desequilibrados.
Não sabem estremecer num calafrio, sob uma carícia terna, nem desencadear de indignação perante uma ofensa.
Não vivem a sua vida para si mesmos, senão para o fantasma que projectam na opinião dos seus semelhantes.
Trocam a sua honra por uma prebenda e fecham a sua dignidade à chave para evitar o perigo; renunciaram a viver em vez de gritar a verdade em face do erro de muitos.
Quando se arrebanham, são perigosos. A força do número supre a debilidade individual.
São prosáicos.
Não têm ânsias de perfeição: a ausência de ideias impede-os de pôr nos seus actos, o grão de sal que profetiza a vida.
Vivem uma vida que não é viver.
Crescem e morrem como plantas; não necessitam ser curiosos, nem observadores.
São prudentes, por definição, de uma prudência desanimadora.
Desprovidos de asas e de penacho, os carácteres medíocres são incapazes de voar até um píncaro ou de lutar contra um rebanho.
A sua vida é uma perpétua cumplicidade à vida alheia.
São refractários e hostis a todo o gesto digno.
Vivem dos outros e para os outros: Carecem de luz, de arrojo, de fogo, de emoção.
Tudo neles é emprestado.
O maldizente, covarde entre todos os envenenadores, está certo de sua impunidade: por isso, é desprezível.
Não afirma: insinua.
Mente com espontaneidade, como respira.
Sabe seleccionar o que vai convergir com a detracção.
Sem covardia, não há maldizência.
Aquele que pode gritar, face a face, uma injúria, aquele que denuncia em voz, aquele que aceita os riscos dos seus dizeres não é maldizente.
A ironía é a perfeição do engenho, uma convergência de intenção e sorriso, aguda na oportunidade, justa na medida.
É-lhe mais fácil ridicularizar uma acção sublime.
O Homem Medíocre José Ingenieros

"Os estúpidos merecem um bilhete de identidade próprio, porque são eles que sustentam a estupidez colectiva"
O Zahir

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Esta sou eu

Sol em Balança
Ascendente Aquário
4 Posições em Escorpião
3 Posições em Virgem
E não é facil ser Eu - qualquer Escorpião sabe do que falo.
É verdade que nas relações sou Tudo ou Nada!
Possessiva, Ciumenta, Controladora.
É verdade que sou Apaixonada e Ansiosa por emoções e sensações intensas até ao limite e ao fundo de tudo!
Vou do Escaldante ao Glacial em 3 segundos.
E tudo o mais que podem lêr aqui:

Para equilibrar o cenário, ou não... tenho o Sol em Balança
Que me dá o profundo prazer pela Harmonia e namoro - sou incapaz de magoar o outro - o equilibrio e optimismo, apura-me o constante sentido de justiça e de bom senso mas aumenta a sensibilidade, o romantismo e os sonhos.

Para refrear as emoções tenho o Ascendente em aquário
Sufoco só de me imaginar presa, adoro novidades e viajar, sou altruista, pragmática, mas tenho reforçada a frieza de esquecer e racionalizar situações.

As 3 posições em Virgem são o meu lado metódico, organizado e perfeccionista .
Dificilmente me permito errar no trabalho e sou incapaz de viver na confusão.
Infelizmente reforça o sentido estupidamente critico a tudo e a todos, a seriedade, o que faz de mim uma rabugenta mal disposta.

Como acredito que todos viemos aqui para evoluir e para nos tornarmos melhores pessoas do que fomos ontem, é essencial conhecermo-nos o melhor possivel para tentar identificar cada ponto de carácter a corrigir.
A Astrologia é só mais uma ferramenta e é mais simples que a terapia num psi qualquer, habituado a rotular cada emoção como um desvio qualquer com um nome qualquer.

É verdade, é a minha natureza.
Lutar contra ela e fingir ser diferente é cansativo e desgastante por tão ambigúa que é.
Quem disse que viver, sentir e evoluir era fácil?

A minha aldeia é Lisboa

Sorte a minha..."fiz bem" em ter nascido na A#$%%&, em 1970
A minha aldeia é Lisboa.
Os meus primeiros anos em paredes meias com o palácio, na educação leal de irmãs salesianas e outros tantos com a honra e liberdade de ser escoteira
Aprendi cedo que não existe melhor sitío para dormir que dentro de uma tenda debaixo de uma árvore - a fazer nós de marinheiro, ler sinais de pista, cantar à volta de uma fogueira e fazer uma boa acção por dia
Esfolei os joelhos a correr e a andar de bicicleta na minha Travessa
Aventurei-me pelos cantos de Lisboa e aprendi o nome de cada rua, com os olhos abertos de quem descobre tudo pela primeira vez
Com as aulas de piano no Restelo descobri a musica antiga e sonhei...
Mais tarde, a loucura da adolescência em plenos anos 80, com as matinés no Crazy Nights e no Loucuras, a dançar um slow a meio da tarde
E os rapazes da minha rua...
E os pactos de sangue de amizade eterna entre 4 amigas
Ao som de Smiths, Bauhaus, Jesus & Mary Chain ou All About Eve e Phil Collins
Das primeiras saídas à noite para o Coconuts e apanhar o primeiro comboio do dia
As noites longas no Seagull e Sociedade Anónima
Das aventuras naífs no Bairro Alto no Frágil e Ocarina ao cheiro de um fado
Os namoricos de praia
As tardes no Dafundo, as madrugadas nos Bolos Quentes de Santos, o conforto de uma caldo verde e um pão com chouriço antes de dormir
Os gritos pelo Freitas na Alameda
Os concertos na Torre de Belém, Aquaparque e Alvalade
As promessas do primeiro amor num banco de Belém, em cada jardim de Lisboa, de mãos dadas pelas Serras a subir ao cimo de todos os castelos
Aquelas noites motards na Mexicana, Vela Latina, da Santomar, do Abel, do jardim Conde Valbom
Os passeios de mota ao domingo pelo Cabo da Roca, Sintra, Ericeira e Arrábida
Almoços no Algarve, pela recta de Palmela a 270 Km/h com o vento a bater na cara e a sentir a vida por um fio
O maior desgosto de amor - que durou vinte anos mas que me devolveu a fé em Deus
As minhas fugas para a serra encantada do monte da lua pelas 9:00h da manhã na tentativa de aliviar a dor e perder o mêdo do futuro
Mais noites do Alcântara Mar, Adlib, Sub-Solo, Vicío, Plateau, Kremlin, Clube T, Jonhy guitar e Kapital
Novas paixões nas praias da Adrága e Baleal
O privilégio de ter casado ao crepúsculo do dia, numa capela quinhentista
Os passeios de lancha por Vilamoura
O cansaço definitivo das festas frívolas e da noite social e barulhenta
O indescritivel prazer em ouvir Canto Gregoriano na Sé ou um recital de Harpa na Sala do Trono
Os aromas da Golegã
A decisão amarga de viver numa cidade de mentes pequenas
A paixão pela Galiza e a descoberta de Santiago onde me sinto mais próxima do Divino
A vida nesta Ilha Celta, cor de esmeralda, onde em cada muro de musgo sobressai uma flor azul
Nesta cidade Georgiana que me trouxe de volta os encantos e me leva a insistir na importância da doçura e da ternura

E a certeza de que mesmo que viva em dez cantos diferentes do mundo, a minha aldeia será sempre Lisboa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Em Reflexão

"Um explorador branco, ansioso por chegar rapidamente ao seu destino no coração de Africa, pagava um salário extra para que os seus carregadores indígenas andassem mais depressa.
Durante vários dias, os carregadores apressaram o passo.
Certa tarde sentaram-se todos no chão e depositaram os seus fardos, recusando-se a continuar.
Por mais dinheiro que lhes fosse oferecido, os indígenas não se moviam.
Quando, finalmente, o explorador pediu uma razão para aquele comportamento, eles responderam:
-Andámos muito depressa e já não sabemos o que estamos a fazer.
Agora precisamos de esperar que as nossas Almas nos alcancem"
Paulo Coelho in Maktub

Vou-me sentar e fechar os olhos...
Sentir o coração a pulsar
Os pulmões a respirar
As pálpebras a abrir e a fechar
O cabelo e as unhas a crescer
O Inverno a chegar
Até que a minha Alma me alcance o corpo outra vez

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Humildade

Diz o Mestre Zen ao discípulo:

“Não se esqueça: jamais seja arrogante com os humildes.

E jamais seja humilde com os arrogantes.”

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

VERDADEIRAMENTE HOMEM


Um homem é verdadeiramente um homem quando faz a sua mulher revelar-se, sem medos ou vergonhas, sem tabus ou preconceitos, quando um olhar seu lhe diz mais que mil elaboradas palavras de paixão, quando a única coisa que a mulher reivindica é não querer mais ninguém nunca mais no seu corpo e no seu leito.

domingo, 18 de outubro de 2009


"Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. as pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar.
Sim, mas como se faz?
Como se esquece?
Devagar.
É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus mas não se podem despejar de repente.
Elas não saem de lá. Estúpidas!"

in Último Volume, Miguel Esteves Cardoso

Porque me apetece


Porque me apetece. Esta explicação, de uma profundidade a que a filosofia não pode aspirar, resume a essência da vida.
Quando uma mulher, depois de ponderosos e longos arrazoados de inspiração profunda, decide, de repente, "não me apetece".
Faz o contrário do aconselhado e deita a filosofia às urtigas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Camiño Francês



Lembrar cada Caminho de Santiago, reporta-me sempre para a necessidade de os relacionar entre si e com a primeira experiência do Caminho de Fátima.
Foi em 2002, 140 Km com saída de Lisboa, ou melhor… de Alverca porque na altura o receio era tanto que não tive a coragem de partir sozinha da Expo.
Esse foi o único Caminho feito com a sensação de carregar sentimentos de culpa, pagar pecados, com a Alma pesada, de fazer as pazes comigo e com o meu feitio de menina rainha e de acertar as contas com Deus.
Caminho sofrido, sentido, iniciático, reflectido na decisão de sair de Lisboa.

E porque o Universo nos retribui tudo quanto somos, o Camiño Português de Santiago em 2006 começou com uma alegria imensa, agradecer um reencontro, ao fim de 13 anos penosos, baseado essencialmente na humildade.

Do Caminho Português vai ficar sempre a lembrança de pequenos milagres, a certeza de que os nossos pensamentos são ouvidos, as nossas preces e desejos atendidos – ensinou-me que uma parte de nós é divina, que temos uma centelha de Deus a brilhar no fundo da alma, por mais que esteja coberta de desvirtudes humanas e que é o nosso elo eterno de ligação ao espiritual.

Vai ficar sempre a memória das pessoas com quem nos cruzamos, as suas histórias e lições de vida – recorda-me que o importante serão sempre as relações humanas.

Pessoas que entram, que saem, que ficam… cada uma delas com a sua missão e o seu recado.

O Caminho dá-nos sempre aquilo que queremos, por menos razoáveis que sejam os nossos desejos ou caprichos – ensinou-me que devemos estar vigilantes sobre as nossas vontades e ser cuidadosos no momento de desejar algo porque há toda a possibilidade do desejo se realizar.
Porque somos humanos, o caminho faz-nos sofrer, reclamar, chorar – como na vida, ensina-me a pedir ajuda, a tratar das feridas do corpo, das magoas do ego e a seguir em frente.

Pelo caminho encontramos pessoas que sofrem mais que nós – lembrei-me de reaprender a ajudar e escutar, a ser solidária e carinhosa, desta vez sem receios.

E faz-nos rir!
O peregrino de Santiago é alegre, está vivo, corajoso de se desafiar a si próprio e ás suas limitações humanas, emocionais porque simplesmente esqueceu-se de sentir pena de si próprio.

Pelo caminho devíamos conseguir desligar do tempo, perder a vontade de chegar à meta diária, sem a preocupação de como iríamos dormir e simplesmente desfrutar cada nuance de verde, cada riacho, cada sombra, cada estrela… de maneira a sentirmos que afinal não somos mais senão uma pequena parte de toda aquela imensa natureza.

Aprendemos que é tão essencial quanto difícil descobrir-mos o que realmente queremos!

O Caminho português, como o meu primeiro caminho de Santiago, estará sempre presente como o início de uma enorme aventura espiritual sem fim, em que tive a sorte de sentir logo a sua magia, encantamento e regressei a casa com a certeza que ia voltar.

Voltar a Santiago mas sem querer banalizar o camiño de maneira nenhuma, voltar apenas quando tivesse um bom motivo que me ajudasse a caminhar nas jornadas mais penosas.

Na noite de 25 de Julho do ano seguinte em plena Andaluzia, olhei a estrela do Norte e senti uma tristeza indescritível por não estar em Santiago naquele momento.

Em 2008, na Irlanda, a vontade de fazer o caminho Inglês não passou disso mesmo… vontade, mas tive a sorte de assistir a uma largada de balões azuis e brancos em Dublin, no meu cigarro da tarde, na varanda do escritório… coincidências.

Em 2009 tinha o motivo! Porque a vida também é feita de ciclos, estava na altura de encerrar uma história com início no Camiño e de dar um salto quântico, enérgico e vital.

E porque cada partida, traz consigo sempre uma chegada, encontrei uma alma boa, companheira de caminhos, de cidade, sons, palavras, ideias, ideais, sensações, emoções extremas e intensas, com uma experiência de vida que me deslumbrou, com uma opinião proxima da minha acerca das religiões e da fé, sabedoria, alegria, franqueza, honestidade, fraquezas, desejos… com feitio de Rei!

Sem ele, provavelmente tinha feito o mesmo Caminho Francês de Santiago, mas de forma muito mais dura, sofredora, fragilizada, triste, pesada, desconfiada, insegura, a intenção não tinha sido seguramente a mesma e a transformação era mais uma vez adiada.

“Os Anjos vêm ter contigo e tu vais ao encontro deles”
È isso… um Anjo da Guarda, antes e durante este Caminho Francês.... (e depois...)

Pela primeira vez senti-me preparada, equipada, amparada, confiante e segura ao ponto de ter partido sozinha, disponível para o que o Camiño tinha para me oferecer.

Foi um caminho essencialmente solitário na companhia por opção e pela necessidade de me sentir, de me ouvir, de me ver crescer.

Há sempre as pessoas que se cruzam connosco e guardo cada uma das suas mensagens: do russo de 15 anos que se sentia mal num café sujo, do Gui com 79 anos sem prostata, da Tina que sonhava trazer um dia o namorado para partilhar com ele a beleza do camiño, da Angelica de 61 anos que sonhava encontrar um marido bom no Caminho, do Felix que ponderava o fim de um casamento e o futuro do filho, do Juan Luis orgulhoso de ser basco, dos chineses, japoneses e coreanos a inundar o Caminho Francês sem no entanto falarem uma palavra de inglês ou espanhol, da menina chinesa a desfrutar um momento de leitura a refrescar os pés num rio de agua fresca, de ti ao meu lado, no meu bolso, ao meu ouvido, sempre a acompanhar-me em cada rosa colorida, romantica, cheia de vida, simplesmente adorável.
Como sempre as lições – ajudar os outros é gratificante mas sem desrespeitar o nosso ritmo nem sobre-estimarmos as nossas capacidades: o medo atrai e quem procura acaba por encontrar – enfrentar uma cobra ao nosso lado quase que nos leva a perder o medo… quase!!
As emoções são sempre o que retenho com maior facilidade – a delicia de comer um saco de cerejas por terras de Leão, o medo de me sentir perseguida durante um dia inteiro, a desonestidade de um espanhol a encurtar caminho, os amantes a sair do bosque, o medo quando quase me perdi, o apoio incansável do meu Anjo no Sabugo, a emoção inqualificável em me permitir ser ajudada, a dureza da subida do Cebreiro, o entrar numa nuvem, o encanto no topo da serra, a madrugada com os montes mergulhados nas nuvens, a vontade de te mostrar a paisagem que já conheces mas com tons quentes, o conforto dum caldo galego, o grito de liberdade, a avaliação fria de deixar amizades faceis pelo caminho, a pedra para que pessoa nenhuma me volte a escolher se não for escolhido, o respeito sempre maior por mim própria, a oração por cada alma boa que tenho a sorte de conhecer, a escuridão que não me permitia ver onde pisava, a sensação de não conseguir chegar a Samos e a Portomarin, as dores do peso nas costas, o cansaço, o susto e a angustia de ser alérgica ao sol, a sensação de dormir num mosteiro, a voz familiar e as palavras de força e carinho do Homem que eu desejo, o meu nome gritado em plena praça por aqueles que se lembraram do meu nome e ficavam alegres por me ver no final de uma jornada, o respeito pela minha opção de caminhar sozinha, a sensação que ensinei e semeei pensamentos de maturidade tal como me ensinaram a mim, o desejo ardente da minha natureza de mulher que me ajudou a chegar em cada dia, a vontade de o guardar, a necessidade do sossego e do silencio durante a noite, a impessoalidade do Monte do Gozo, a tua força para partir para Santiago e finalmente a chegada à catedral com o orgulho justo de ter chegado.

"20/06/2009 – 20:40h
O que desejavas agora miúda?"
O Caminho dá-nos sempre o que desejamos
E deu… não podia imaginar mas deu-me a noite ao teu lado.
Não me pode dar mais 20 anos numa semana
Não pode diminuir a diferença de vida vivida
Não pode mudar o meu corpo
Haverá forma mais rapida de crescer que esta, a de aceitar as impossibilidades e limitações
Guardei a minha conversa privada e o teu Abraço a Santiago para o dia seguinte.
Dei-lhe o teu recado do encontro marcado para Dezembro… felizmente chegámos mais cedo.
Cada caminho é um caminho único, singular.
Nenhum se repete
Estamos diferentes, crescemos, estamos mais acima, mais à frente e, para mim, todos os Caminhos de Santiago serão sempre o Caminho do Auto-conhecimento, de fé em nós próprios e em Deus, por mais sabedoria que pensemos que já alcançamos.