"Vocês criaram o constrangimento, a repressão e a vergonha sexual - que conduziram à inibição, disfunção e à violência sexual.
O ser humano revolta-se porque sabe que não devia sentir vergonha e culpa de algo que é tão bom.
Depois quando percebe que foi ludibriado - que a sexualidade deve ser uma parte maravilhosa, respeitável e gloriosa da experiência humana - revolta-se contra os outros: os pais por o reprimirem, a religião por o humilhar, os membros do sexo oposto por o desafiarem e a sociedade inteira por o controlar.Por fim revolta-se contra si proprio por permitir que tudo issso o iniba.
Tudo isto emergiu do pensamento de que quem tem filhos também tem que os criar
Um dos pensamentos na base de muitos dos vossos problemas é essa ideia de que conjuges e filhos são propriedade pessoal, que são "vossos".
A maior parte dos humanos não está preparado para criar filhos aos trinta ou aos quarenta - e não é de esperar que estejam. Ainda não viveram tempo suficiente como adultos para transmitirem a sabedoria profunda aos filhos. Os anos da juventude nunca se destinaram ao ensinamento da verdade mas à recolha da verdade.
São os mais velhos que deviam educar as crianças e estavam destinados a isso. São eles que conhecem a verdade e a vida. O que é importante e o que não é. O significado de integridade, honestidade, lealdade, amizade e Amor.
Mas vocês puseram-nos de parte, marginalizaram-nos, retiraram-lhes o poder, exigiram-lhes que se reformassem dos seus empregos precisamente quando podiam trazer beneficio às empresas, quando a sua participação poderia dar algum sentido." in "Conversas com Deus"
É exaltante e tão sorridente este coral, Aleluia, do oratório Messias.
Haendel escreveu-o para a Páscoa, e estreou-o, aqui em Dublin, a 13 de Abril de 1742, utilizando apenas 16 cantores e uma pequena orquestra.
Tive a sorte de o assistir no Palácio da Vila, naquilo que na altura eram os "Concertos de Páscoa"
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.
O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.
Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor.
Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”).
Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”.
Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo.
É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”.
É banal um jornalista cair no desagrado do poder.
Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado.
Sem essa dialéctica só há monólogos.
Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar.
Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade.
Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.
Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”.
Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.
Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.
O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público.
Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.
Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicacado hoje (1/2/2010) na imprensa.
O meu país está doente, cheio de olheiras e com mau hálito.
Sinto um cheiro pálido assim que entro num taxi no aeroporto de Lisboa
Ao fim de 2 minutos de conversa percebo a falta de esperança, a revolta individual e colectiva a ser cozinhada em banho-maria, quase a entrar em ebulição e a explodir.
Não me assusta a revolução nem o acordar.
Não quero sangue mas incomoda-me a violência moral a que estamos sujeitos.
Incomoda-me a apatia e a resignação.
Parecemos envenenados e encarcerados por um monstro maçon côr-de-rosa, que suporta este poder arrogante e mal-formado.
Incomoda-me que a alternativa seja um partido dividido em "istas" - menezistas, santanistas, cavaquistas - e sem futuro.
De meninos que ora brincam aos insultos e fazem birra, ora são outra vez amigos de conveniência, cheios de vicios caros e telhados sujos de vidro.
Chorei a morte de Sá Carneiro quando tinha 10 anos, porque achei que era um homem bom.
Gritei pelo Freitas na Alameda, chorei com a frustração por não poder ainda votar e termos perdido.
Fui despedida do primeiro emprego por ter chegado feliz ao escritório, depois da vitoria de 1991.
Despedi-me da Kodak para fazer a campanha de 1995 porque íam ser umas presidenciais dificeis.
Nas Galinheiras, rasgaram-nos a roupa, os panfletos e humilharam-nos.
Vesti a camisola de coração laranja mas cansei-me.
O mundo mudou, eu cresci e hoje não sei se me incomoda mais ser governada por estes palhaços, se assistir à medíocridade deste partido, que não se lhes opõe e que me repugna profundamente.
Ninguém lhes diz que o mundo mudou, girou, evoluiu e que passaram 20 anos?!
Ninguém lhes disse que a Direita e a Esquerda já não fazem sentido?!
Que os programas não têm que ser para "tachos" de 4 anos mas para o futuro?
Que as camisas às riscas Façonnable, pullovers Labrador pelas costas, hoje são apanágio de novos ricos de formação moral duvidosa e que nem sequer sabem falar um português correcto e entendível.
Que estamos cansados daqueles nomes gastos e batidos que entretanto se acomodaram em lugares bastante confortáveis - são a cara dos anos 80 e já não fazem parte desta realidade.
Que não queremos esta geração medíocre de filhos de emigrantes - vindos de terras do interior que ninguém conhece mas que habilmente se permitiram infiltrar nesta teia de interesses, que tratam os outros por Sr. Doutor - como cabeças de lista nas autarquias e no parlamento, à espera de também se acomodarem.
É esta a medíocridade que se segue? São estes os meninos que vão preencher a bancada?
E a troco de quê? De que financiamentos e cunhas locais? Lugares nas listas a preços de feira.
Hoje somos ecologistas, preocupamo-nos com sustentabilidade e nem por isso somos comunistas.
Temos valores de melhor qualidade ética e moral, somos menos sociais e nem por isso somos conservadores.
Preferimos a verdade e empenharmo-nos num bem duro mas comum ,que promessas fáceis e falsas.
Sabemos que um lider é aquele em quem reconhecemos a dignidade e o respeito da autoridade.
Definitivamente contam as pessoas, a sua capacidade de fazer acontecer e não os partidos.
É inevitável reconhecer autoridade nos argumentos de Medina Carreira, todos aplaudimos quando salta a tampa à Nogueira Pinto porque lhes sentimos autenticidade e sentido de missão, que é isso que devia ser a nobreza do serviço publico.
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada.
O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso.
O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha.
O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos.
O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também.
O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem.
O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre.
E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada. Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço. Mário Crespo, no JN de hoje
Deus
Dá-me a Coragem para mudar aquilo que eu posso mudar
Dá-me a Paciência para aceitar aquilo que eu não posso mudar
Dá-me a Sabedoria para distinguir uma coisa da outra
Aos 18 anos, perguntei-lhe se queria lêr os meus 2 diários.
Ele disse que sim.
Esperei uns dias, ansiosa.
Pensei que fosse gostar dos desenhos, das folhinhas cheirosas no meio de cada página, das flores coladas nos cantos, pensei que percebesse quanto era dificil ser a filha mais velha, que soubesse da minha dificil relação com a minha mãe, que as minhas angústias eram semelhentes às dele e que não estava sozinho.
Leu e disse que não entendia como eu o podia amar e odiar tanto ao mesmo tempo.
Ficou em silêncio durante uns dias e mais ele não disse.
...
Há umas semanas, durante o nosso almoço habitual, falei-lhe no meu Blog a propósito de qualquer coisa.
- "Tens um Blog? Dá-me o endereço"
- Não! não está lá nada escrito sobre ti.
E mais eu não disse
...
E também é a escrever sobre eles que se resolvem ou desaparecem, aos poucos, devagar.
Sempre tratei os meus gatos como se fossem meus filhos, por serem criaturas que dependiam em quase tudo de mim.
Infelizmente morreram quase todos atropelados à porta de casa.
E lembro-me de duvidar apenas uma vez, da minha fé em Deus.
Estava no meu quarto, ouvi um carro a travar bruscamente, tapei os ouvidos com força e rezei!
Pedi a Deus que não tivesse sido a minha gatinha preta, pedi a Deus que ela tivesse conseguido ser mais rápida que o carro, pedi a Deus que não tivesse acontecido aquilo que aconteceu.
E duvidei...
Anos mais tarde, fui atropelada em Belém
Como a minha gatinha preta
E não senti dor, não senti a pancada, não sofri
Simplesmente adormeci
E por acaso acordei, deitada na estrada
E percebi que os meus filhotes não sofreram nem sentiram dor ao morrer.
Deus tem destas coisas.
Diz as coisas de uma forma estranha.
Este ano reservei o hotel para a passagem de ano, em Setembro.
Pois... em Santiago! e não, não há fogo de artificío nem nada de extraordinário nessa noite.
No ano passado, a viagem de natal, foi marcada com vários meses de antecedência, com regresso a Dublin a 30/12, para 2 pessoas pelo que não podia ser alterada depois apenas para uma.
Foi, de longe, a pior passagem de ano de que me lembro!
Ainda não me tinha habituado ao silêncio da casa.
Agarrei-me com todas as forças ao meu enorme orgulho magoado e à minha profunda raiva para empacotar literalmente metade da casa numa noite.
Como sempre, Deus foi generoso comigo e trouxe-me a minha querida amiga de Sintra, para me consolar numa choradeira pegada e acompanhar em milhares de brindes a tudo o que a vida tem de bom através de uma webcam.
Perdi a conta às passagens de ano que passámos juntas mas foram muitas.
E em todas brindámos, chorámos e rimos até não aguentarmos a dor de barriga de tanto rir.
Mas este ano vai ser diferente.
Escolhi a cidade que mais me toca a Alma sob o pretexto de assistir à abertura da Porta Santa na tarde de 31/12 e que marca o inicio do Ano Santo Jacobeo 2010.
Não, não há fogo de artificío nem se passa nada de extraordinário nessa noite.
Há apenas Santiago de Compostela.
Quem me conhece sabe que sou apaixonada pelo ar que se respira nesse sitio que para mim é mágico.
Poucos que me conhecem sabem que apenas senti o mesmo encantamento por Sintra (que me desencantou na minha 1ª vistita à Quinta da Regaleira) e por Lisboa.
Eu sei que só não estou lá todos os meses porque voos directos Dublin/Santiago só há durante o verão.
Trocaria todas as profissões e dinheiro do mundo para me dedicar apenas a Caminhar.
Acho que todos sabem que voltarei e caminharei sempre e enquanto tiver pernas para andar.
Sabem que tenho, entre outros, o enorme defeito de me esquecer depressa de tudo quanto aprendi em cada caminho e que por isso uso uma vieira para me recordar que carrego a dignidade e a alegria de ser Peregrina de Santiago.
Talvez alguns saibam que o significado do meu nome significa caminheira, peregrina.
Sabem que Amo Lisboa mas que mesmo assim trocaria a minha cidade por Santiago, só para sentir o prazer de vêr os peregrinos chegar.
Quase ninguém sabe que escolheria para morrer, a Praça do Obradoiro, sitio onde tenho sempre a sensação de Paz e missão cumprida.
Pouco me importa a verdade ou a religião.
Importa-me a energia que emana das pessoas que chegam dum Caminho sofrido, alquimico - estão diferentes, mais puras, genuinas, leais, simples, mais humanas, mais elas.
São pessoas que acreditam em milagres, que os fazem acontecer, que sabem que são capazes, que perderam o medo de morrer e adoram viver.
Importa-me a energia que emana das orações em idiomas de toda a parte do mundo na catedral - sem preconceitos nem desigualdades.
É com esta energia Boa que a Alma do mundo se cura e Deus carinhosamente sorri.
Acredito que há poucos sitios neste planeta onde se concentrem, num espaço fisico relativamente pequeno, tantas pessoas com tanto em comum entre si.
E é esta união que se transforma numa força com um poder imenso.
O poder de fazer acontecer e transformar o mundo num sitio melhor.
Eu, que até sou uma optimista :)... vou fazer aqui um pequeno exercicio de boa vontade e procurar o lado Feliz de Dublin.
Curiosamente, o que me atrai (entenda-se que estou aqui por obrigação e não por opção!!) é exactamente o lado Georgiano e Victoriano desta que foi uma colónia britânica e que os Irlandeses tanto tentam esquecer.
São:
As portas Georgianas de todas as cores
Os jardins e estufas de inverno
Os móveis lacados de branco e as lareiras de bronze
As rosas e porcelanas victorianas
Os folhos, as rendas, os laços, os veludos, as sedas, as pérolas
As fadas, os duendes e cogumelos nos jardins das casas
Os cisnes selvagens no Canal
O verde e a água por todos os lados
Os doces, os cupcakes, os suspiros, o chá, o chocolate quente
Os jardins onde nos deitamos na relva e se fazem piqueniques
As saias de caxemira num xadrês quente e variado
Os vestidos para cada hora do dia
A lingerie doce e burlesca
As crianças ruivas e sardentas
Os leões marinhos no seu habitat natural
As ostras, hmmmm as ostras, definetly
...
Assim, de repente, não me ocorre mais nada e já estou a sentir a chuva a bater na janela outra vez...
As conversas em Dublin, começam sempre e invariavelmente sobre "o tempo".
Na semana passada, falava com um taxista que me confessava ser altamente deprimente passar um ano inteiro na Irlanda e que por isso conhecia irlandeses capazes de dar um milhão de euros por um terreno na Quinta do Lago ou outro tanto por uma Villa no sul de Espanha.
Esta semana, conheci uma italiana no Tesco, que vive em Dublin há nove anos, casada com um irlandês, que me dizia que à medida que o tempo passa, torna-se cada vez mais dificil suportar viver aqui pelo que estavam a considerar mudarem-se para Milão.
Há quase dois anos que aqui cheguei e tenho de admitir que o primeiro ano foi bem mais fácil de passar que o segundo, apesar das minhas viagens mensais e vitais a Lisboa.
O tempo é de facto insuportável. Se no verão, chove quase todos os dias, no Inverno está tanto frio que as pessoas quase não saem de casa.
Esta Ilha tem quase sempre um manto espesso de nuvens cinzentas por cima das nossas cabeças.
Não imagino o que seja nascer e viver a vida toda numa ilha no norte do atlântico onde chove todos os dias.
Mas as pessoas tornam-se a face visivel do desequilibrio.
Acordam, raramente tomam banho - o cheiro nauseabundo no autocarro pela manhã e os cabelos por pentear são prova disso - comem ovos mexidos com presunto e feijão antes de sair de casa, vão para o trabalho, almoçam uma sandes fria ou asas de frango acompanhadas de água com gelo ou cerveja, saem às cinco, enfiam-se num bar até às 20:00h, bebem mais cerveja, fumam ao frio, vão para casa, não jantam ou comem qualquer coisa frita com muito chilli, bem picante, são fanáticos por futebol, veêm um canal exclusivamente de venda de casas e terrenos em terras mediterrânicas e imagino que se deitem embriagados mas a sonhar com raios de sol.
Os mais jovens vestem-se das cores mais berrantes e fluorescentes, os adultos vestem-se invariavelmente de preto, elas carregam camadas sobrepostas de maquilhagem, usam pestanas e unhas postiças, compram desmedidamente qualquer coisa que os distraia por mais inutil que seja, a preços absurdos.
As pré-adolescentes enrolam pela cintura as saias axadrezadas do uniforme dos colégios e sobem-nas até ao limite do umbigo.
8000 desaparecidos por ano, 700 suicidios por ano, Dublin é a cidade da Europa com maior numero de assassinatos com armas de fogo, 25% dos homens são vitimas de violência doméstica e o aeroporto tem um movimento de 24 milhões/ano para uma população de 6 milhões de habitantes.
Felizmente e por enquanto, há os outros como eu - os Espanhois, Italianos, Franceses, Brasileiros, Chineses, Indianos, Nigerianos - que pelo menos damos côr a esta cidade, nas nossas roupas, com o nosso tom mais ou menos bronzeado, com os nossos sorrisos sóbrios e com calor no olhar.
Sim, o olhar! Talvez seja isso que mais me incomoda, o olhar azul, frio e distante desta gente do Norte.
Não lhes sinto a alma ou talvez prefira nem vê-la.
Estou em contagem decrescente! Tenho um ano (no máximo) para aproveitar o que esta Ilha tem de melhor e para continuar a resistir ao seu clima pesado sem me deixar ir abaixo.
É estranho mas sei que um dia vou sentir saudades.
"Eu sou o Deus
Eu sou a Deusa
Eu sou o Ser Supremo
O Todo de Tudo
O Principio e o Fim. O Alfa e o Omega
Sou a Soma e a Parcela. A Pergunta e a Resposta. O Alto e o Baixo. A Esquerda e a Direita, o Aqui e o Agora, o Antes e o Depois.
Eu sou a Luz e sou as Trevas que criam a luz e a tornam possivel.
Eu sou a Bondade sem fim e a Maldade que torna boa a bondade.
Sou todas estas coisas - o Todo de Tudo - e não posso experienciar qualquer parte do meu Eu sem experienciar todo o meu Eu.
E é isso que não compreeendes a meu respeito.
Queres fazer de mim um e não o outro. O alto e não o baixo. O Bom e não o mau.
Mas ao negares metade de mim, negas metade do teu Eu." in "Conversas com Deus"
"Numa fase inicial da vossa história, viveram numa sociedade matriarcal onde as mulheres governavam tudo segundo as suas emoções. Detinham todas as posições governamentais, religiosas, de poder, na ciência, no ensino e na cura. Os homens não tinham poder nenhum, apenas justificavam a sua existência pela capacidade de fertilizar óvulos femininos e transportar objectos pesados.
Houve então uma mudança e emergiu o patriarcado.
Quando fizeram essa mudança, deixaram de exprimir as vossas emoções. Classificaram-no como "fraqueza". Foi durante esse periodo que os membros do sexo masculino inventaram o Deus e o diabo masculinos. Utliziram o medo porque era o unico instrumento que possuiam. O medo era a unica coisa com que as mulheres não tinham contado.
Toda a ideia de Divindade foi subvertida.
Em vez de ser a fonte de todo o Amor, passou a ser a fonte de todo o medo.O modelo de Amor maioritariamente feminino foi substituido pelo amor ciumento e irado de um Deus exigente e intolerante, que não admitia nenhuma falha nem ignorava nenhuma ofensa.
O sorriso da Deusa divertida, sentindo um Amor ilimitado e submetendo-se docemente às leis da Natureza, foi substituido pela face austera do Deus sério, limitando o Amor para todo o sempre." in Conversas com Deus
Eu sou o ventre da terra. Eu sou os sulcos dos campos. Eu sou a cúspide da lua. Eu sou as gotinhas da chuva. Eu sou as ondas do oceano. Eu venho com os feixes do trigo para alimentá-los, com cestas de frutas para abençoar a sua mesa e com água transparente e fresca para saciar a sua sede. Eu sou a essência generosa da vida. Eu sou a condutora das crianças, não para matarem e serem assassinadas, mas para apoiarem a vida, plantarem sementes, produzirem colheitas, nutrirem a vida.
Uma suposta relação entre duas pessoas com um Horóscopo composto como este, significa uma coisa que pode resultar em duas: Uma força natural de intensidade brutal, que pode conduzir ambos à cura espiritual e redenção da alma ou ao perigo. Hmmm e erotismo pois está claro, muita sensualidade, muito sexo, muito bom.
Como a aranha ou o bicharoco que sente que vai ser esmagado se imobiliza com medo e finge estar morto, numa tentativa derradeira de se salvar, assim sou eu.
Quando sinto que perdi o chão, a esperança, a confiança e sinto que vou ser esmagada pela sensação de rejeição, frustração, perda e tristeza, entro em auto-sabotagem e fingo uma displicência silenciosa aterradora.
É raro acontecer mas quando gosto de verdade é sempre de alguém com qualidades superiores, mais forte, mais bonito, mais inteligente, mais divertido, mais social, mais emotivo, mais sensivel, mais acima, mais além.
Apaixono-me por alguém que não consigo, não quero controlar e evito ao máximo entrar em jogos de razão e poder.
Pelos braços fortes capazes de me aguentar e de me defender.
Pela águia capaz de voar mais alto que eu.
Pelo menino que quero acariciar e cuidar.
Apaixono-me num filme romântico em que por trás de um grande Homem está apenas uma Mulher Feminina que se entrega, num cenário de doçura, ternura, desejo e paixão.
Sou a Guerreira agressiva e defensiva das 09:00h às 06:00h mas tiro a armadura quando chego a casa.
Por isso admito a minha vulnerabilidade, fraqueza e sensibilidade na paixão e no Amor.
Admito que não tenho a força nem a estrutura emocional para acompanhar personalidades demasiado fortes quando a minha está demasiado frágil.
Não sei como se luta por alguém que não nos pode pertencer.
Não sei como se faz quando o que sinto é demasiado grande para caber numa realidade bem limitada.
Não sei como se faz quando se sente o chão a fugir, o céu a desabar e as mãos a suar.
Não sei como se está com alguém que já não está lá.
Não sei estar na vida do outro como uma intrusa.
Não sei competir com outras mulheres muito mais mulheres que eu.
E aconteceu o que não era suposto acontecer: pela segunda vez na vida aconteceu e percebi que não mudei assim tanto desde os 17 anos.
No inicío, temos apenas algumas peças de um grande puzzle, e naturalmente não fazemos a interpretação correcta do quadro em que acabámos entrar.
Sentimos desde o inicio um forte aperto no coração que nos diz que vai ser algo de importante.
A nossa intuição dá uma ajuda, diz-nos que não devemos desistir e que vai valer a pena continuar.
Aos poucos vamos percebendo o quanto é importante é o nosso papel.
E o do outro - porque quando duas pessoas se encontram, o Universo é justo e a gratificação final é sempre reciproca.
Entregamo-nos a fundo, mergulhamos nela de cabeça, dedicamos-lhe o corpo e a Alma, esquecemos tudo o resto porque sentimos que o tempo é escasso e nos foge por entre os dedos, por mais que o tentemos segurar.
Como todas as grandes mudanças têm de começar por algum lado, é preciso desbravar, preparar o terreno e marcar o caminho.
O Caminho de Alguem que apenas precisa que lhe recordemos a esperança, a sábia ingenuidade, a capacidade de voltar a Amar sem desconfiança e com verdade, a Fé na Mulher e no seu Amor maior, sem idade.
Estava escrita uma história nas Estrelas.
Uma historia bonita, daquelas que nos encanta, cheia de magia, com um final Feliz.
E sossega-nos o coração saber que fomos parte dela e ele da nossa.
Um portátil, um gravador, nomes e datas de nascimento
- Você viveu na India, em 1840
- Na India? Mas não me identifico em nada com a India nem com o séc. IX
Encanta-me a musica antiga, os madrigais de Monteverdi fazem-me dançar como que por instinto
- Abandonou toda a sua familia
Fugiu, talvez para Londres em plena época victoriana
Está a ver as linhas encarnadas? representam o seu Karma
Não tem tanto assim... mas é um karma de Amor e abandono
Lucas? A minha alma gémea também se chama Lucas
- Sim, eu sei, eu li o seu livro
- É... ele é a sua alma gémea... matriz
- Imagino que seja
- Mas não significa que ficarão juntos nesta vida
Estão em estágios evolucionais diferentes e têm uma divida de perdão mutúo
Com ele perdi a virgindade, entreguei-me, sofri e dele me vinguei numa traíção infantil declarada.
Por ele casei, fugi para o Porto para o esquecer, por ele fui a Santiago agradecer o reencontro. Passaram 5 anos desde a consulta com a Dulce R. e aprendi que temos todas as verdades dentro de nós.
Hoje somos amigos, como 2 irmãos que se conhecem demasiado bem e sem qualquer tipo de atracção. Passou o encantamento e a maldição
Passou a angústia e a dor
Eu pedi perdão, sanei a minha culpa e desatei o ultimo nó que tinha