terça-feira, 27 de outubro de 2009

A minha aldeia é Lisboa

Sorte a minha..."fiz bem" em ter nascido na A#$%%&, em 1970
A minha aldeia é Lisboa.
Os meus primeiros anos em paredes meias com o palácio, na educação leal de irmãs salesianas e outros tantos com a honra e liberdade de ser escoteira
Aprendi cedo que não existe melhor sitío para dormir que dentro de uma tenda debaixo de uma árvore - a fazer nós de marinheiro, ler sinais de pista, cantar à volta de uma fogueira e fazer uma boa acção por dia
Esfolei os joelhos a correr e a andar de bicicleta na minha Travessa
Aventurei-me pelos cantos de Lisboa e aprendi o nome de cada rua, com os olhos abertos de quem descobre tudo pela primeira vez
Com as aulas de piano no Restelo descobri a musica antiga e sonhei...
Mais tarde, a loucura da adolescência em plenos anos 80, com as matinés no Crazy Nights e no Loucuras, a dançar um slow a meio da tarde
E os rapazes da minha rua...
E os pactos de sangue de amizade eterna entre 4 amigas
Ao som de Smiths, Bauhaus, Jesus & Mary Chain ou All About Eve e Phil Collins
Das primeiras saídas à noite para o Coconuts e apanhar o primeiro comboio do dia
As noites longas no Seagull e Sociedade Anónima
Das aventuras naífs no Bairro Alto no Frágil e Ocarina ao cheiro de um fado
Os namoricos de praia
As tardes no Dafundo, as madrugadas nos Bolos Quentes de Santos, o conforto de uma caldo verde e um pão com chouriço antes de dormir
Os gritos pelo Freitas na Alameda
Os concertos na Torre de Belém, Aquaparque e Alvalade
As promessas do primeiro amor num banco de Belém, em cada jardim de Lisboa, de mãos dadas pelas Serras a subir ao cimo de todos os castelos
Aquelas noites motards na Mexicana, Vela Latina, da Santomar, do Abel, do jardim Conde Valbom
Os passeios de mota ao domingo pelo Cabo da Roca, Sintra, Ericeira e Arrábida
Almoços no Algarve, pela recta de Palmela a 270 Km/h com o vento a bater na cara e a sentir a vida por um fio
O maior desgosto de amor - que durou vinte anos mas que me devolveu a fé em Deus
As minhas fugas para a serra encantada do monte da lua pelas 9:00h da manhã na tentativa de aliviar a dor e perder o mêdo do futuro
Mais noites do Alcântara Mar, Adlib, Sub-Solo, Vicío, Plateau, Kremlin, Clube T, Jonhy guitar e Kapital
Novas paixões nas praias da Adrága e Baleal
O privilégio de ter casado ao crepúsculo do dia, numa capela quinhentista
Os passeios de lancha por Vilamoura
O cansaço definitivo das festas frívolas e da noite social e barulhenta
O indescritivel prazer em ouvir Canto Gregoriano na Sé ou um recital de Harpa na Sala do Trono
Os aromas da Golegã
A decisão amarga de viver numa cidade de mentes pequenas
A paixão pela Galiza e a descoberta de Santiago onde me sinto mais próxima do Divino
A vida nesta Ilha Celta, cor de esmeralda, onde em cada muro de musgo sobressai uma flor azul
Nesta cidade Georgiana que me trouxe de volta os encantos e me leva a insistir na importância da doçura e da ternura

E a certeza de que mesmo que viva em dez cantos diferentes do mundo, a minha aldeia será sempre Lisboa

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Em Reflexão

"Um explorador branco, ansioso por chegar rapidamente ao seu destino no coração de Africa, pagava um salário extra para que os seus carregadores indígenas andassem mais depressa.
Durante vários dias, os carregadores apressaram o passo.
Certa tarde sentaram-se todos no chão e depositaram os seus fardos, recusando-se a continuar.
Por mais dinheiro que lhes fosse oferecido, os indígenas não se moviam.
Quando, finalmente, o explorador pediu uma razão para aquele comportamento, eles responderam:
-Andámos muito depressa e já não sabemos o que estamos a fazer.
Agora precisamos de esperar que as nossas Almas nos alcancem"
Paulo Coelho in Maktub

Vou-me sentar e fechar os olhos...
Sentir o coração a pulsar
Os pulmões a respirar
As pálpebras a abrir e a fechar
O cabelo e as unhas a crescer
O Inverno a chegar
Até que a minha Alma me alcance o corpo outra vez

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Humildade

Diz o Mestre Zen ao discípulo:

“Não se esqueça: jamais seja arrogante com os humildes.

E jamais seja humilde com os arrogantes.”

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

VERDADEIRAMENTE HOMEM


Um homem é verdadeiramente um homem quando faz a sua mulher revelar-se, sem medos ou vergonhas, sem tabus ou preconceitos, quando um olhar seu lhe diz mais que mil elaboradas palavras de paixão, quando a única coisa que a mulher reivindica é não querer mais ninguém nunca mais no seu corpo e no seu leito.

domingo, 18 de outubro de 2009


"Como é que se esquece alguém que se ama?
Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver?
Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar?
Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. as pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar.
Sim, mas como se faz?
Como se esquece?
Devagar.
É preciso esquecer devagar.
Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre.
Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus mas não se podem despejar de repente.
Elas não saem de lá. Estúpidas!"

in Último Volume, Miguel Esteves Cardoso

Porque me apetece


Porque me apetece. Esta explicação, de uma profundidade a que a filosofia não pode aspirar, resume a essência da vida.
Quando uma mulher, depois de ponderosos e longos arrazoados de inspiração profunda, decide, de repente, "não me apetece".
Faz o contrário do aconselhado e deita a filosofia às urtigas.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Camiño Francês



Lembrar cada Caminho de Santiago, reporta-me sempre para a necessidade de os relacionar entre si e com a primeira experiência do Caminho de Fátima.
Foi em 2002, 140 Km com saída de Lisboa, ou melhor… de Alverca porque na altura o receio era tanto que não tive a coragem de partir sozinha da Expo.
Esse foi o único Caminho feito com a sensação de carregar sentimentos de culpa, pagar pecados, com a Alma pesada, de fazer as pazes comigo e com o meu feitio de menina rainha e de acertar as contas com Deus.
Caminho sofrido, sentido, iniciático, reflectido na decisão de sair de Lisboa.

E porque o Universo nos retribui tudo quanto somos, o Camiño Português de Santiago em 2006 começou com uma alegria imensa, agradecer um reencontro, ao fim de 13 anos penosos, baseado essencialmente na humildade.

Do Caminho Português vai ficar sempre a lembrança de pequenos milagres, a certeza de que os nossos pensamentos são ouvidos, as nossas preces e desejos atendidos – ensinou-me que uma parte de nós é divina, que temos uma centelha de Deus a brilhar no fundo da alma, por mais que esteja coberta de desvirtudes humanas e que é o nosso elo eterno de ligação ao espiritual.

Vai ficar sempre a memória das pessoas com quem nos cruzamos, as suas histórias e lições de vida – recorda-me que o importante serão sempre as relações humanas.

Pessoas que entram, que saem, que ficam… cada uma delas com a sua missão e o seu recado.

O Caminho dá-nos sempre aquilo que queremos, por menos razoáveis que sejam os nossos desejos ou caprichos – ensinou-me que devemos estar vigilantes sobre as nossas vontades e ser cuidadosos no momento de desejar algo porque há toda a possibilidade do desejo se realizar.
Porque somos humanos, o caminho faz-nos sofrer, reclamar, chorar – como na vida, ensina-me a pedir ajuda, a tratar das feridas do corpo, das magoas do ego e a seguir em frente.

Pelo caminho encontramos pessoas que sofrem mais que nós – lembrei-me de reaprender a ajudar e escutar, a ser solidária e carinhosa, desta vez sem receios.

E faz-nos rir!
O peregrino de Santiago é alegre, está vivo, corajoso de se desafiar a si próprio e ás suas limitações humanas, emocionais porque simplesmente esqueceu-se de sentir pena de si próprio.

Pelo caminho devíamos conseguir desligar do tempo, perder a vontade de chegar à meta diária, sem a preocupação de como iríamos dormir e simplesmente desfrutar cada nuance de verde, cada riacho, cada sombra, cada estrela… de maneira a sentirmos que afinal não somos mais senão uma pequena parte de toda aquela imensa natureza.

Aprendemos que é tão essencial quanto difícil descobrir-mos o que realmente queremos!

O Caminho português, como o meu primeiro caminho de Santiago, estará sempre presente como o início de uma enorme aventura espiritual sem fim, em que tive a sorte de sentir logo a sua magia, encantamento e regressei a casa com a certeza que ia voltar.

Voltar a Santiago mas sem querer banalizar o camiño de maneira nenhuma, voltar apenas quando tivesse um bom motivo que me ajudasse a caminhar nas jornadas mais penosas.

Na noite de 25 de Julho do ano seguinte em plena Andaluzia, olhei a estrela do Norte e senti uma tristeza indescritível por não estar em Santiago naquele momento.

Em 2008, na Irlanda, a vontade de fazer o caminho Inglês não passou disso mesmo… vontade, mas tive a sorte de assistir a uma largada de balões azuis e brancos em Dublin, no meu cigarro da tarde, na varanda do escritório… coincidências.

Em 2009 tinha o motivo! Porque a vida também é feita de ciclos, estava na altura de encerrar uma história com início no Camiño e de dar um salto quântico, enérgico e vital.

E porque cada partida, traz consigo sempre uma chegada, encontrei uma alma boa, companheira de caminhos, de cidade, sons, palavras, ideias, ideais, sensações, emoções extremas e intensas, com uma experiência de vida que me deslumbrou, com uma opinião proxima da minha acerca das religiões e da fé, sabedoria, alegria, franqueza, honestidade, fraquezas, desejos… com feitio de Rei!

Sem ele, provavelmente tinha feito o mesmo Caminho Francês de Santiago, mas de forma muito mais dura, sofredora, fragilizada, triste, pesada, desconfiada, insegura, a intenção não tinha sido seguramente a mesma e a transformação era mais uma vez adiada.

“Os Anjos vêm ter contigo e tu vais ao encontro deles”
È isso… um Anjo da Guarda, antes e durante este Caminho Francês.... (e depois...)

Pela primeira vez senti-me preparada, equipada, amparada, confiante e segura ao ponto de ter partido sozinha, disponível para o que o Camiño tinha para me oferecer.

Foi um caminho essencialmente solitário na companhia por opção e pela necessidade de me sentir, de me ouvir, de me ver crescer.

Há sempre as pessoas que se cruzam connosco e guardo cada uma das suas mensagens: do russo de 15 anos que se sentia mal num café sujo, do Gui com 79 anos sem prostata, da Tina que sonhava trazer um dia o namorado para partilhar com ele a beleza do camiño, da Angelica de 61 anos que sonhava encontrar um marido bom no Caminho, do Felix que ponderava o fim de um casamento e o futuro do filho, do Juan Luis orgulhoso de ser basco, dos chineses, japoneses e coreanos a inundar o Caminho Francês sem no entanto falarem uma palavra de inglês ou espanhol, da menina chinesa a desfrutar um momento de leitura a refrescar os pés num rio de agua fresca, de ti ao meu lado, no meu bolso, ao meu ouvido, sempre a acompanhar-me em cada rosa colorida, romantica, cheia de vida, simplesmente adorável.
Como sempre as lições – ajudar os outros é gratificante mas sem desrespeitar o nosso ritmo nem sobre-estimarmos as nossas capacidades: o medo atrai e quem procura acaba por encontrar – enfrentar uma cobra ao nosso lado quase que nos leva a perder o medo… quase!!
As emoções são sempre o que retenho com maior facilidade – a delicia de comer um saco de cerejas por terras de Leão, o medo de me sentir perseguida durante um dia inteiro, a desonestidade de um espanhol a encurtar caminho, os amantes a sair do bosque, o medo quando quase me perdi, o apoio incansável do meu Anjo no Sabugo, a emoção inqualificável em me permitir ser ajudada, a dureza da subida do Cebreiro, o entrar numa nuvem, o encanto no topo da serra, a madrugada com os montes mergulhados nas nuvens, a vontade de te mostrar a paisagem que já conheces mas com tons quentes, o conforto dum caldo galego, o grito de liberdade, a avaliação fria de deixar amizades faceis pelo caminho, a pedra para que pessoa nenhuma me volte a escolher se não for escolhido, o respeito sempre maior por mim própria, a oração por cada alma boa que tenho a sorte de conhecer, a escuridão que não me permitia ver onde pisava, a sensação de não conseguir chegar a Samos e a Portomarin, as dores do peso nas costas, o cansaço, o susto e a angustia de ser alérgica ao sol, a sensação de dormir num mosteiro, a voz familiar e as palavras de força e carinho do Homem que eu desejo, o meu nome gritado em plena praça por aqueles que se lembraram do meu nome e ficavam alegres por me ver no final de uma jornada, o respeito pela minha opção de caminhar sozinha, a sensação que ensinei e semeei pensamentos de maturidade tal como me ensinaram a mim, o desejo ardente da minha natureza de mulher que me ajudou a chegar em cada dia, a vontade de o guardar, a necessidade do sossego e do silencio durante a noite, a impessoalidade do Monte do Gozo, a tua força para partir para Santiago e finalmente a chegada à catedral com o orgulho justo de ter chegado.

"20/06/2009 – 20:40h
O que desejavas agora miúda?"
O Caminho dá-nos sempre o que desejamos
E deu… não podia imaginar mas deu-me a noite ao teu lado.
Não me pode dar mais 20 anos numa semana
Não pode diminuir a diferença de vida vivida
Não pode mudar o meu corpo
Haverá forma mais rapida de crescer que esta, a de aceitar as impossibilidades e limitações
Guardei a minha conversa privada e o teu Abraço a Santiago para o dia seguinte.
Dei-lhe o teu recado do encontro marcado para Dezembro… felizmente chegámos mais cedo.
Cada caminho é um caminho único, singular.
Nenhum se repete
Estamos diferentes, crescemos, estamos mais acima, mais à frente e, para mim, todos os Caminhos de Santiago serão sempre o Caminho do Auto-conhecimento, de fé em nós próprios e em Deus, por mais sabedoria que pensemos que já alcançamos.

domingo, 17 de maio de 2009

A Coragem

A palavra coragem é muito interessante.
Ela vem da raiz latina cor, que significa "coração".
Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.
E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica.
Com medo, fecham todas as janelas e portas – com teologia, conceitos, palavras, teorias – e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles escondem-se.

O caminho do coração é o caminho da coragem.
É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido.
É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser.
Coragem é seguir trilhas perigosas.
A vida é perigosa.
E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos.
A pessoa que está viva, realmente viva, enfrentará sempre o desconhecido.
O perigo está presente mas assumirá o risco.
O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador.
A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta.
O coração nunca calcula nada.

“A semente não pode saber o que lhe vai acontecer, a semente jamais conheceu a flor.
E a semente não pode nem mesmo acreditar que traga em si a potencialidade para transformar-se numa bela flor.
Longa é a jornada.
E será sempre mais seguro não entrar nela, porque o percurso é desconhecido, e nada é garantido... mil e uma são as incertezas da jornada, muitos são os imprevistos - e a semente sente-se em segurança, escondida no interior de um caroço resistente.
Ainda assim ela arrisca, esforça-se; desfaz-se da carapaça dura que é a sua segurança, e começa a mover-se.
A luta começa no mesmo momento: a batalha com o solo, com as pedras, com a rocha.
A semente era muito resistente, mas a plantinha será muito delicada e os perigos serão muitos.

Não havia perigo para a semente, a semente poderia ter sobrevivido por milénios mas para a plantinha os perigos são muitos.
O brotinho lança-se, porém, ao desconhecido, em direção ao sol, em direção à fonte de luz, sem saber para onde, sem saber por quê.
Enorme é a cruz a ser carregada, mas a semente está tomada por um sonho e segue em frente.


Semelhante é o caminho do homem.
É árduo. Muita coragem será necessária”.

Esta descrição da carta faz-me reflectir sobre todos os momentos em que precisamos de ser como a semente: aceitar o campo em que caímos e, mesmo dentro de uma casca rija, acreditar nos nossos sonhos e romper esta casca, olhando em volta, intuindo onde estamos e para onde vamos.
Se o ambiente for inóspito, temos que, pacientemente, esperar pela chuva e pelo sol que vêm fortalecer o nosso crescimento.
Temos que encontrar uma brecha entre as pedras e os espinhos para serpentear nosso caule e abrir nossa copa e nossas flores debaixo do vasto céu azul que nos espera.

“Quando nos defrontamos com uma situação muito difícil, há sempre uma escolha: podemos ficar cheios de ressentimentos e tentar encontrar alguém ou alguma coisa em que pôr a culpa pelas nossas dificuldades, ou podemos enfrentar o desafio e crescer.

A flor nos mostra o caminho, à medida que a sua paixão pela vida a conduz para fora da escuridão, para o mundo da luz.
Não faz nenhum sentido em lutar contra os desafios da vida, ou tentar evitá-los ou negá-los. Eles estão aí, e se a semente deve transformar-se em flor, precisamos de passar por eles.

Seja corajoso o bastante para transformar-se na flor que você foi feito para ser”.

sábado, 2 de maio de 2009

A Inocencia


O velho homem irradia no mundo uma satisfação de criança.

Há uma atmosfera de graça à sua volta, indicando que ele está bem consigo mesmo, e com o que a vida lhe proporcionou.

Parece que ele está conversando alegremente com o louva-a-Deus no seu dedo, como se os dois fossem os maiores amigos.

As flores cor de rosa que cascateiam em torno dele representam um tempo de deixar acontecer, de relaxamento, de doçura.

Elas são uma resposta à sua presença, um reflexo da sua própria natureza.

A inocência que advém de uma profunda experiência de vida é semelhante à de uma criança, sem ser infantil.

A inocência das crianças é bela, mas ignorante.

Ela será substituída por desconfiança e dúvida à medida que a criança for crescendo e aprendendo que o mundo pode ser um lugar perigoso e ameaçador.

A inocência, porém, de uma vida plenamente vivida tem um quê de sabedoria e da aceitação da vida em eterna mudança.

terça-feira, 28 de abril de 2009

INGENUIDADE ALHEIA



Ela é assim… chama-se Helena
Intensa Ansiosa Exigente Resistente Enérgica Diferente Lúcida Penetrante Crítica Perspicaz Agressiva Justa Intuitiva Determinada Criativa Obstinada Possessiva Concentrada Misteriosa Confiante Curiosa Subtil Corajosa Ardente Orgulhosa Independente Vitoriosa Natural Profunda Glacial Simples Leal Deliciosa Pueril Impenetrável Escaldante Devota Desconcertante Digna Genuína Resiliênte Responsável Rebelde Honesta Livre Egoísta Sensível Integra Inteligente Forte Emocional Humilde Racional Pura Sensual Fiel Apaixonada
Não apenas a paixão amorosa, mas também a paixão pela política, pelo trabalho, pela amizade, religião, animais, crianças, família, roupas, colares, sonhos, vida, morte e qualquer outra coisa que possamos imaginar.
Sempre uma questão de Tudo ou Nada
Tem o dom de ler a Alma, de nos sentir os medos e os desejos mais profundos, de descobrir segredos
Tão calma e controlada… mas sempre incandescente… não toque! Pode-se queimar
Doce e infantil ou má e cruel?!… não é uma coisa nem outra, é ambas
Força as situações
Ajuda-se, se lhe apetecer, e aos outros
Não esquece nunca quem lhe fez bem, nem quem lhe fez mal
Defende quem Ama com a própria Vida
Protege os fracos mas apenas os Fortes são dignos de voar ao seu lado
Quando sente dor ou medo, ri, ri, ri!
Dá gargalhadas até chorar
Chora… mas como uma criança que soluça e que logo se distrai com qualquer coisa
Com horror ao pecado quanto uma professora de catequese mas desejosa de penetrar em cada canto escuro da natureza humana
Tem a sua própria lei, espírito livre e poderosamente atraente, que nunca se aborrece com o que os outros pensam
Sabe o que é e o que não é... os insultos passa-lhe por cima e os elogios não a influenciam um milímetro
É uma verdadeira experiência vê-la agir sob as nuvens negras da adversidade sem se entregar a sentimentos menos nobres
Com a consciência de que a vida não lhe deve nada
Manda na sua vida, e por isso sabe que é responsável pelo seu destino
Ela é assim e ninguem sabe

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Convenção dos feridos por amor


Disposições gerais:

A - Em se considerando que está absolutamente correcto o ditado “tudo vale no amor e na guerra”;
B – Em se considerando que na guerra temos a Convenção de Genebra, adoptada em 22 de Agosto de 1864, determinando como os feridos em campo de batalha devem ser tratados, ao passo que nenhuma convenção foi promulgada até hoje com relação aos feridos de amor, que são em muito maior número;
Fica decretado que:

Art. 1 – todos os amantes, de qualquer sexo, ficam alertados que o amor, além de ser uma bênção, é algo também extremamente perigoso, imprevisível, capaz de acarretar danos sérios.
Consequentemente, quem se propõe a amar, deve saber que está expondo seu corpo e sua alma a vários tipos de ferimentos, e não poderá culpar seu parceiro em nenhum momento, já que o risco é o mesmo para ambos.
Art. 2 – Uma vez sendo atingido por uma flecha perdida do arco de Cupido, deve em seguida solicitar ao arqueiro que atire a mesma flecha na direcção contrária, de modo a não se submeter ao ferimento conhecido como “amor não correspondido”.
Caso o Cupido recuse tal gesto, a Convenção ora sendo promulgada exige do ferido que imediatamente retire a flecha do seu coração e a jogue no lixo.
Para conseguir tal feito, deve evitar telefonemas, mensagens pela Internet, remessa de flores que terminam sendo devolvidas, ou todo ou qualquer meio de sedução, já que os mesmos podem dar resultados a curto prazo, mas sempre terminam dando errado com o passar do tempo.
A Convenção decreta que o ferido deve imediatamente procurar a companhia de outras pessoas, tentando controlar o pensamento obsessivo “vale a pena lutar por esta pessoa”.
Art. 3 – Caso o ferimento venha de terceiros, ou seja, o ser amado interessou-se por alguém que não estava no roteiro previamente estabelecido, fica expressamente proibida a vingança.
Neste caso, é permitido o uso de lágrimas até que os olhos sequem, alguns socos na parede ou no travesseiro, conversas com amigos onde pode-se insultar o antigo(a) companheiro(a), alegar sua completa falta de gosto, mas sem difamar sua honra.
A Convenção determina que seja também aplicada a regra do Art. 2: procurar a companhia de outras pessoas, preferivelmente em lugares diferentes dos frequentados pela outra parte.
Art. 4 – Em ferimentos leves, aqui classificados como pequenas traições, paixões fulminantes que não duram muito, desinteresse sexual passageiro, deve-se aplicar com generosidade e rapidez o medicamento chamado Perdão.
Uma vez este medicamento aplicado, não se deve voltar atrás uma só vez, e o tema precisa estar completamente esquecido, jamais sendo utilizado como argumento em uma briga ou em um momento de ódio.
Art. 5 – Em todos os ferimentos definitivos, também chamados “rupturas”, o único medicamento capaz de fazer efeito chama-se Tempo.
Não adianta procurar consolo em cartomantes (que sempre dizem que o amor perdido irá voltar), livros românticos (cujo final é sempre feliz), novelas de TV ou coisas do género.
Deve-se sofrer com intensidade, evitando-se por completo drogas, calmantes, orações para santos.
Álcool só é tolerado em um máximo de dois copos de vinho por dia.
Determinação final: os feridos por amor, ao contrário dos feridos em conflitos armados, não são vítimas nem algozes.
Escolheram algo que faz parte da vida, e assim devem encarar a agonia e o êxtase da sua escolha.
E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer:
“vivi”
Porque não viveram.

Paulo Coelho

Até Santiago


250 Km do Porto Até Santiago

Um Camiño percorrido por milhares e milhares de pessoas antes de ti ao longo de 2000 anos
Uma viagem incrível
Uma aventura espiritual
Parte sem expectativas
Tempo e simplicidade é tudo o que precisas
Vive o momento, o aqui e agora

No Camiño há muitas lições a aprender
Nos não precisamos de muitas coisas para sermos Felizes
Carinho, Amizade e Amor é tudo o que cada um precisa
Qualquer coisa negativa pode até ser positiva
Não conseguir o que se deseja pode ser um golpe de sorte
Cuidado com o que desejas porque pode ser que o consigas e depois não saibas o que fazer
Idade ou nacionalidade não interessa, vais encontrar sempre um amigo
Os teus sentidos despertam, quando não estás distraído com outras coisas
Não tenhas pressa em chegar

É Fé, Força e não medo que te conduzem no Camiño e na Vida
É uma força mental, consegues tudo a que te propuseres
Segue o teu Coração, ele guiarte-á no Camiño Certo
É a Viagem que conta, não o destino
Segue apenas as setas amarelas
Não interessa a tua Religião
Tens Liberdade Total para sonhar, pensar, sentir
Deixa as estrelas guiarem-te
Deixa a fome lembrar-te que são horas de comer
Deixa o teu conforto por alguns dias

TU CONSEGUES é tudo o que precisas de ouvir
Porquê?
Para sentires que a tua vida tem um sentido
Para agradecer o melhor que te aconteceu
Os Milagres acontecem todos os dias, se estiveres atento
Os Anjos vêm ter contigo, e tu vais ao encontro deles
Encontras pessoas que ajudam pessoas
É o teu Camiño, não há certo nem errado
A tua vida pode mudar, é só caminhar
Aprendes a conhecer a tua dor e a tratá-la
Vais encontrar o que uma vez perdeste, a pureza da infância e a humildade
Vais deixar pelo Camiño o orgulho e o rancor
Vais ensinar a Perdoar
Quando voltares á vida de todos os dias, o Camiño vai estar presente
É parte de ti, tens uma responsabilidade maior para com os outros
Contra a mentira, o medo e a mediocridade

É o Camiño dos simples
Vais confundir Vaidade com Dignidade
Somos todos Peregrinos no grande Camiño da vida
É um privilégio ser chamado a fazer o Camiño
Há sempre mais qualquer coisa a aprender sobre nós próprios
E conseguimos ir sempre mais longe

Se eu voltarei?
Com certeza que sim
Sempre que tiver um Bom Motivo